12 de novembro de 2010

A verdade dói, não dói Aníbal?

Sem contar com a sua breve passagem pela pasta das Finanças, conhecemos cinco cavacos. Mas todos os cavacos vão dar ao mesmo. O primeiro Cavaco foi primeiro-ministro. Esbanjou dinheiro como se não houvesse amanhã. Desperdiçou uma das maiores oportunidades de deste País no século passado. Escolheu e determinou um modelo de desenvolvimento que deixou obra mas não preparou a nossa economia para a produção e a exportação. O Cavaco dos patos bravos e do dinheiro fácil. Dos fundos europeus a desaparecerem e dos cursos de formação fantasmas. O Cavaco do Dias Loureiro e do Oliveira e Costa num governo da Nação. Era também o Cavaco que perante qualquer pergunta complicada escolhia o silêncio do bolo rei. Qualquer debate difícil não estava presente, fosse na televisão, em campanhas, fosse no Parlamento, a governar. Era o Cavaco que perante a contestação de estudantes, trabalhadores, polícias ou utentes da ponte sobre o Tejo respondia com o cassetete. O primeiro Cavaco foi autoritário. O segundo Cavaco alimentou um tabu: não se sabia se ficava, se partia ou se queria ir para Belém. E não hesitou em deixar o seu partido soçobrar ao seu tabu pessoal. Até só haver Fernando Nogueira para concorrer à sua sucessão e ser humilhado nas urnas. A agenda de Cavaco sempre foi apenas Cavaco. Foi a votos nas presidenciais porque estava plenamente convencido que elas estavam no papo. Perdeu. O País ainda se lembrava bem dos últimos e deprimentes anos do seu governo, recheados de escândalos de corrupção. É que este ambiente de suspeita que vivemos com Sócrates é apenas um remake de um filme que conhecemos. O segundo Cavaco foi egoísta. O terceiro Cavaco regressou vindo do silêncio. Concorreu de novo às presidenciais. Quase não falou na campanha. Passeou-se sempre protegido dos imprevistos. Porque Cavaco sabe que Cavaco é um bluff. Não tem pensamento político, tem apenas um repertório de frases feitas muito consensuais. Esse Cavaco paira sobre a política, como se a política não fosse o seu ofício de quase sempre. Porque tem nojo da política. Não do pior que ela tem: os amigos nos negócios, as redes de interesses, da demagogia vazia, os truques palacianos. Mas do mais nobre que ela representa: o confronto de ideias, a exposição à critica impiedosa, a coragem de correr riscos, a generosidade de pôr o cargo que ocupa acima dele próprio. Venceu, porque todos estes cavacos representam o nosso atraso. Cavaco é a metáfora viva da periferia cultural, económica e politica que somos na Europa. O terceiro Cavaco é vazio. O quarto Cavaco foi Presidente. Teve três momentos que escolheu como fundamentais para se dirigir ao País: esse assunto que aquecia tanto a Nação, que era o Estatuto dos Açores; umas escutas que nunca existiram a não ser na sua cabeça sempre cheia de paranóicas perseguições; e a crítica à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo que, apesar de desfazer por palavras, não teve a coragem de vetar. O quarto Cavaco tem a mesma falta de coragem e a mesma ausência de capacidade de distinguir o que é prioritário de todos os outros. Apesar de gostar de pensar em si próprio como um não político, todo ele é cálculo e todo o cálculo tem ele próprio como centro de interesse. Este foi o Cavaco que tentou passar para a imprensa a acusação de que andaria a ser vigiado pelo governo, coisa que numa democracia normal só poderia acabar numa investigação criminal ou numa acção política exemplar. Era falso, todos sabemos. Mas Cavaco fechou o assunto com uma comunicação ao País surrealista, onde tudo ficou baralhado para nada se perceber. Este foi o Cavaco que achou que não devia estar nas cerimónias fúnebres do único prémio Nobel da literatura porque tinha um velho diferendo com ele. Porque Cavaco nunca percebeu que os cargos que ocupa estão acima dele próprio e não são um assunto privado. Este foi o Cavaco que protegeu, até ao limite do imaginável, o seu velho amigo Dias Loureiro, chegando quase a transformar-se em seu porta-voz. Mais uma vez e como sempre, ele próprio acima da instituição que representa. O quarto Cavaco não é um estadista. E agora cá está o quinto Cavaco. Quando chegou a crise começou a sua campanha. Como sempre, nunca assumida. Até o anúncio da sua candidatura foi feito por interposta pessoa. Em campanha disfarçada, dá conselhos económicos ao País. Por coincidência, quase todos contrários aos que praticou quando foi o primeiro Cavaco. Finge que modera enquanto se dedica a minar o caminho do líder que o seu próprio partido, crime dos crimes, elegeu à sua revelia. Sobre a crise e as ruínas de um governo no qual ninguém acredita, espera garantir a sua reeleição. Mas o quinto Cavaco, ganhe ou perca, já não se livra de uma coisa: foi o Presidente da República que chegou ao fim do seu primeiro mandato com um dos baixos índices de popularidade da nossa democracia e pode ser um dos que será reeleito com menor margem. O quinto Cavaco não tem chama. Quando Cavaco chegou ao primeiro governo em que participou eu tinha 11 anos. Quando chegou a primeiro-ministro eu tinha 16. Quando saiu eu já tinha 26. Quando foi eleito Presidente eu tinha 36. Se for reeleito, terei 46 quando ele finalmente abandonar a vida política. Que este homem, que foi o politico profissional com mais tempo no activo para a minha geração, continue a fingir que nada tem a ver com o estado em que estamos e se continue a apresentar com alguém que está acima da politica é coisa que não deixa de me espantar. Ele é a política em tudo que ela falhou. É o símbolo mais evidente de tantos anos perdidos.

Artigo aqui.

"Tout-court", ou em português, curto e grosso! Cada vez gosto mais do Daniel Oliveira que ainda por cima tem boa memória. Deixa aqui bem claro que o actual Presidente da República não tem dimensão humana ou cultural para ocupar o cargo que ocupa. Ainda por cima vai recandidatar-se! Chiça! Foda-se! Se o Mário Soares é o 666 da democracia portuguesa o Cavaco é o Nosferatu!

E por falar em desperdício, quem pode deixar de assinar esta petição?

Tendo conhecimento que nos refeitórios de grandes empresas, todos os dias existem centenas de refeições em perfeitas condições que são deitadas fora ( a isso obriga a Lei de Saúde Pública ), como explicar isto a quem passa fome ? Uma lei tem que ter um carácter minimamente humano, pois existe de e para os homens. Tem que se encontrar uma solução técnica, para que esta situação não continue a acontecer. Por mail, contactei há 2 anos atrás a Presidência da República que me respondeu que esse era um assunto do Governo; contactado o Governo, responderam-me que iam pensar no assunto. Entretanto, os meses foram passando e como não tive conhecimento de nada, enviei mail's para deputados de 3 forças políticas diferentes mas, nestes casos, nem resposta tive. Algo tem de ser feito, pois todos os dias esta situação se repete. Esperemos que através deste meio, muitas pessoas necessitadas possam beneficiar deste incrível desperdício.

Podem assinar a petição aqui.

Como ele abunda toca a devolver!

A Comissão Europeia reclama a Portugal a devolução de mais de 45,7 milhões de euros de despesas da Política Agrícola Comum (PAC), por incumprimento de regras e deficiências nos controlos. "Esta penalização surge apenas por incompetência", afirmou ao CM Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal. "Sempre chamámos a atenção para a má gestão que estava a ser feita, mas o Governo assobiou para o lado e preferiu falar em lóbi dos agricultores", acrescentou o responsável, defendendo que devem ser apuradas responsabilidades porque, alertou, "os 45 milhões vão sair do bolso dos cidadãos. O Estado são os contribuintes".

Notícia aqui.

Perdidos por 100 perdidos por 1000, parece ser a máxima de quem nos desgoverna. É triste.

Cheira-me que não há Judiciária para tanto crime.

A investigação sobre as suspeitas de burla aos bancos BPN e Caixa de Crédito Agrícola (CCA), cujo valor ronda os 100 milhões de euros, vai avançar para outras câmaras municipais do País. Segundo consta dos mandados para as buscas do passado dia 26 de Outubro, emitidos pelo juiz Carlos Alexandre, o principal suspeito do caso, o empresário Carlos Marques tinha uma rede de contactos junto das autarquias, "vereadores, arquitectos e assessores", para lhe "garantir a viabilização ou a criação de aparência de viabilização de terrenos". Com isto nas mãos, através de empresas-fantasma, Carlos Marques obtinha crédito bancário. A Câmara de Oeiras já está referenciada no processo e há várias na zona do Algarve alvo da atenção dos inspectores da Unidade Nacional contra a Corrupção da Polícia Judiciária. Isto depois de Luís Duque, vereador na Câmara de Sintra, ter sido constituído arguido neste caso, uma vez que terá tido intervenção no pedido de licenciamento de uma bomba de combustível feito pela empresa Espaço Curvo, referenciada como uma das sociedades instrumentais controladas por Carlos Marques - o único dos nove arguidos do caso que se encontra hoje em prisão preventiva. O alegado esquema criminoso de Carlos Marques, ainda de acordo com a descrição dos mandados de busca, a que o DN teve acesso, assentava na colocação de várias peças: por um lado, segundo a investigação, havia os dois advogados, Diamantino Morais e Teresa Cantanhede, que "acederam a prestar colaboração a Carlos Marques na formação de várias sociedade nacionais, de carácter instrumental, destinadas a obter financiamentos sem a preocupação de gerar ganhos que permitissem amortizar as responsabilidades assumidas". E são inúmeras as tais empresas referidas nos autos: Blube Boats, Vencimo, Megagold, Eurolondon, Imperceptível Construções, Mama Suma, Top of Pilots e Lots of Hapiness, entre outras. No lado dos bancos, há suspeitas de que gestores do lado do BPN, como João Abrantes, e na CCA, Carlos Alcobia e Maria João Rocha, satisfizessem os pedidos de crédito feitos por aquelas sociedades, independentemente do valor real das garantias prestadas, a troco de comissões. O objectivo do empreiteiro seria o encadeamento de financiamentos bancários, em que uns "tapavam" outros, criando um verdadeiro carrossel de crédito que estaria alicerçado em garantias sobreavaliadas ou, simplesmente, falsas. Segundo o juiz Carlos Alexandre, o "desenvolvimento deste esquema permitiu aos suspeitos obterem elevados proveitos económicos em detrimento de uma perda em sede fiscal". É neste contexto que, ainda segundo o mandado de busca, entra uma nova personagem: Carlos Ortigueira, registado na CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) como um dos intermediários oficiais do Deutsche Bank. E, tendo em conta o seu "conhecimento do mundo financeiro", Carlos Ortigueira terá "desenvolvido operações de colocação de fundos no exterior, designadamente obtendo entidades-veículo e contas bancárias na Suíça", escreveu o juiz Carlos Alexandre, identificando o banco BPN Paribas como o veículo utilizado para tais operações. Aliás, Carlos Ortigueira foi sócio de algumas das empresas que estão sob suspeita. O esquema de eventual colocação de lucros no exterior terá ainda passado pela Davos Finance, uma empresa especializa na criação de sociedades offshore. No processo da burla estão identificadas cinco sociedades que terão sido utilizadas para a ocultação do dinheiro: Templeton, Nylat, Antélia, Emera e a Milton International Investments. Os mandados de busca referem ainda o nome de Alcina Andrade como uma das pessoas que auxiliaram Carlos Marques no esquema em causa. Ao que o DN apurou, trata-se da companheira do empresário que, paulatinamente, foi sendo afastada da gerência das empresas em causa. Ambos já tinham sido investigados no caso da Universidade Independente.

Notícia aqui.

O que interessa é enviar o dinheiro para fora. Os trouxas que paguem a dívida! Será que a P.J. tem efectivos para tanto crime? Não me parece e num esquema tipo arrastão muitos se vão safar. Triste país o nosso.

9 de novembro de 2010

Os sociopatas. Por Daniel Oliveira.

Lembram-se da comitiva de banqueiros à porta de Passos Coelho e Teixeira dos Santos a pedir responsabilidade aos políticos? Lembram-se de como foram tratados como homens de boa vontade que recordavam a políticos desnorteados as suas obrigações para com o País? Lá estava Ricardo Salgado, como porta-voz de todos eles. Ficámos agora a saber que a PT pode vir a pagar aos seus 15 principais accionistas os dividendos ainda antes de entrar em vigor o novo orçamento, fugindo assim à cobrança de impostos que ele estipula. Entre os principais accionistas está, pois é claro, o BES. A responsabilidade, as obrigações para com o País, o sentido patriótico... Tudo isso fica para os outros. O Estado pode perder 260 milhões de euros, metade do buraco que ficou para tapar depois da negociação do governo com o PSD. Que esta gente trate de si, sabendo que de uma forma ou de outra se safa sempre de contribuir para a resolução dos problemas do País, só espanta quem vive noutro planeta. Para quê pagar impostos se os trouxas que trabalham por conta de outrem, os pensionistas, os beneficiários do abono de família, os funcionários públicos, os pobres e a classe média podem dar parte do pouco que têm? O que me choca é que estes cavalheiros, que tão pouco fazem pelo País e dele tudo exigem, continuem a ser ouvidos como oráculos da Nação. Que tenham a última palavra sobre um orçamento para o qual não contribuem. Que insistam em falar de responsabilidade. Na verdade, tratam-se de sociopatas, incapazes de qualquer gesto de solidariedade e de dever perante a comunidade em que vivem, apenas movidos por uma ganância sem qualquer limite. Põem e dispõem ministros, pressionam o poder político sem se darem ao trabalho de serem discretos, mas não hesitam em saltar do barco quando todos são chamados a dar a sua parte. Espertos são eles. Idiotas somos nós. Por isso, quando vierem com a conversa da irresponsabilidade da próxima greve geral, espero que ninguém lhes dê ouvidos. Já cansa tanta hipocrisia.

Artigo aqui.

Não terá antes sido um cachecol?

O Ministério Público apreendeu documentos no âmbito da Operação Furacão que indiciam o envolvimento da Mota-Engil no pagamento de luvas a decisores políticos. O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) está a investigar indícios de que houve pagamento de luvas no valor de seis milhões de euros, em 2002, na entrega da concessão da SCUT do Grande Porto ao consórcio liderado pela Mota-Engil. Este foi o principal motivo por que o presidente do grupo, António Mota, esteve esta quarta-feira a prestar declarações no DCIAP. Uma informação que António Mota nega. O caso foi descoberto no âmbito da investigação da Operação Furacão, não constituindo ainda um inquérito autónomo. O SOL sabe, no entanto, que António Mota - chamado a prestar declarações sobre várias matérias relacionadas com o esquema de falsificação de documentos detectado no Furacão - foi ouvido como arguido pela equipa liderada pelo procurador Rosário Teixeira, por indícios dos crimes de corrupção activa, fraude fiscal agravada, branqueamento de capitais e abuso de confiança. Segundo soube o SOL, a investigação à SCUT do Grande Porto teve início em 2005, quando, nas buscas efectuadas a alguns bancos no âmbito da Operação Furacão, os investigadores descobriram facturas falsas emitidas a sociedades offshore pela Lusoscut - o consórcio de empresas liderado pela Mota-Engil, a quem foi adjudicada a SCUT do Grande Porto. Buscas realizadas posteriormente às empresas do grupo liderado por António Mota e dos seus parceiros no consórcio permitiram a apreensão de nova documentação, indiciando agora a existência de pagamentos de luvas num total de seis milhões de euros a quatro decisores políticos, que directa ou indirectamente estiveram relacionados com o concurso daquela SCUT.

Notícia aqui.

Só gostava de saber como é que uma empresa (Mota & Companhia) que estava falida no início dos anos 80 chegou aqui... Ah, sempre teve amigos no P.S.!

Foi para isto que te contratei Coelho!

De acordo com o semanário Sol, António Mota está a ser ouvido na sequência de uma investigação que detectou, em buscas efectuadas, em 2005, ao BPN, Finibanco, BES e BCP, um esquema de fuga ao fisco e branqueamento de capitais. Segundo o Jornal de Negócios, António Mota, que foi constituído arguido na Operação Furacão há cerca de ano e meio, foi notificado para ser ouvido no DCIAP há cerca de um mês. Apesar de estar na situação de arguido, o presidente do grupo Mota-Engil ainda não tinha sido ouvido no processo. O presidente do grupo Mota-Engil, que chegou ao Campus de Justiça, em Lisboa, acompanhado pelo seu advogado, Daniel Proença de Carvalho, está a ser ouvido pelo procurador Rosário Teixeira. A Operação Furacão, um mega-processo por crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais, investiga a suspeita de que centenas de empresas colocaram fora de Portugal milhões de euros, por intermédio de bancos e outras instituições financeiras, através de facturação falsa. Segundo a procuradora-geral adjunta Cândida Almeida, que dirige o DCIAP, o Estado já recuperou 100 milhões de euros no decurso desta operação, em resultado da possibilidade de as empresas poderem obter a suspensão provisória do processo através do pagamento da quantia em dívida ao Estado.

Notícia aqui.

Será que ainda vamos ouvir dizer que quem se mete com a Mota-Engil leva? Já nada me espanta...

Estás mesmo a pedi-las Ção!


Direitos e deveres culturais.

"Artigo 73º. Educação, cultura e ciência.
1. Todos têm direito à educação e à cultura.
2. O Estado promove a democratização da educação e as demais condições para que a educação, realizada através da escola e de outros meios formativos, contribua para a igualdade de oportunidades, a superação das desigualdades económicas, sociais e culturais, o desenvolvimento da personalidade e do espírito de tolerância, de compreensão mútua, de solidariedade e de responsabilidade, para o progresso social e para a participação democrática na vida colectiva.
3. O Estado promove a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural, em colaboração com os órgãos de comunicação social, as associações e fundações de fins culturais, as colectividades de cultura e recreio, as associações de defesa do património cultural, as organizações de moradores e outros agentes culturais.
4. A criação e a investigação científicas, bem como a inovação tecnológica, são incentivadas e
apoiadas pelo Estado, por forma a assegurar a respectiva liberdade e autonomia, o reforço da
competitividade e a articulação entre as instituições científicas e as empresas."




Não estou a ver como...












Safar-se-á a investigação científica graças aos esforços dos últimos anos do Dr. Mariano Gago...

3 de novembro de 2010

Alguém falou em promiscuidade?

A empresa First Five Consulting (F5C), uma das maiores prestadoras de serviços na área da assessoria mediática e de organização de eventos para o Governo, está em nome do advogado que defende o chefe de gabinete de José Sócrates no caso contra o deputado de socialista Vítor Baptista. Este acusa André Figueiredo de tráfico de influências, ao tentar aliciá-lo com a promessa de um cargo numa empresa pública, em troca da sua não-recandidatura à federação de Coimbra, e vai ser processado. O nome do advogado, Jorge Manuel Abreu Rodrigues, aparece na base de dados do Ministério da Justiça como sendo o administrador único da F5C - que é uma sociedade anónima -, e nos relatórios de negócios é apresentado como detentor de 100 por cento do capital. Contactado pelo PÚBLICO, recusou falar no assunto. Porém, João Tocha, o director-geral da F5C, disse ao PÚBLICO que é também accionista, com metade do capital. Mas a empresa, afinal, é mais do que uma agência de comunicação: além da "prestação de serviços de consultoria, estudos, projectos e management em todas as áreas da vida económica, marketing, comunicação e publicidade", tem também como objecto social a "compra e venda de imóveis para revenda". De acordo com o portal dos contratos públicos, a F5C facturou, desde final de 2008, perto de 1,2 milhões de euros em eventos e assessoria a entidades públicas como o IAPMEI, ministérios da Educação, Saúde, Agricultura e Justiça, a Estradas de Portugal, os governos regionais dos Açores e da Madeira, Parque Expo, Governo Civil de Lisboa e municípios de Campo Maior, Rio Maior e Oliveira de Azeméis. Fundada em 2007, a F5C integrou entre os accionistas elementos próximos do gabinete de Sócrates e teve uma ascensão meteórica na facturação - 2,5 milhões de euros em 2009. Apontado como bastante próximo das cúpulas socialistas, João Tocha prefere dizer que trabalha e aconselha políticos e partidos independentemente da cor. E sobre o facto de a empresa ter tanta exposição na comunicação social por aparecer ligada à organização de eventos públicos diz que é a "demonstração da falta de habilidade" de quem o quer "prejudicar e só consegue dar maior visibilidade a custo zero" à F5C - uma referência à agressividade que domina o mercado da comunicação política.

Artigo aqui.

Isto é que é encher à fartasana para o Zé Povo pagar!

A boa memória do Daniel Oliveira.

Ontem, no telejornal da SIC, Eduardo Catroga disse o que teria feito se fosse ministro das Finanças, esquecendo-se momentaneamente que já foi ministro das Finanças. Não teria esbanjado dinheiro e, sobretudo, não empurraria para o futuro investimentos do presente. E deu o exemplo como a SCUT. Concordo. Já escrevi aqui que as Parecerias Público-Privadas são um dos cancros do Estado. Além de saírem mais caras apenas para difarçarem o défice e limitarem por décadas as grandes opções do Estado, criam um ambiente de promiscuidade entre o poder político e as empresas. Depois comecei a pensar: mas uma das primeiras grandes obras que se socrreu deste tipo de financiamento - e uma das mais ruinosas -, foi feita quando? A concessão foi dada em Abril de 1994 e a construção começou em Fevereiro de 1995. Tratava-se da segunda travessia do Tejo. Deu e continua a dar muito a ganhar à Lusoponte e muito a perder aos cofres do Estado. Era então o ministro das Obras Públicas Joaquim Ferreira do Amaral. As condições foram as que se conhecem. O mesmo Ferreira do Amaral acabou à frente da empresa que ganhou com o negócio. Quem era então o ministro das Finanças? Nada mais nada menos do que Eduardo Catroga (entre Dezembro de 1993 e Outubro de 1995). É por isso que as suas declarações sobre o Estado gordo e a irresponsabilidade de quem governa valem o que valem. Se ele fosse ministro das Finanças faria provavelmente coisas muito acertadas. Incluindo travar este género de negócios que deixaram o Estado empenhado por décadas. Mas a única coisa que interessa não é o que faria se fosse ministro das Finanças, mas o que fez quando foi ministro das Finanças. E a verdade é que deixou fazer o que agora lhe parece inaceitável.

Artigo aqui.

Aí estão eles em grande!

Segundo a acusação revelada hoje pelo DIAP do Baixo Vouga, em Aveiro, Armando Vara teria recebido 25 mil euros em 20 de Junho de 2009, das mãos de Manuel Godinho, na casa deste sucateiro, em Furadouro, Ovar. Fernando Lopes Barreira, conterrâneo e amigo de longa data de Armando Vara, teria recebido também 25 mil euros na mesma ocasião, segundo o Ministério Público, que acusa igualmente o fundador da polémica Fundação para a Prevenção e Segurança Rodoviária, quando Armando Vara era ministro da Administração Interna. Armando Vara foi então demitido, por interferência do então Presidente da República, Jorge Sampaio. José Penedos, à data presidente da REN, está acusado de dois crimes de corrupção passiva e dois delitos de participação económica em negócio. Paulo Penedos, advogado e filho do ex-presidente da REN, que era assessor jurídico do então administrador da PT, Rui Pedro Soares, foi acusado de um crime de tráfico de influência, conforme ficou definido no primeiro interrogatório judicial, depois de estar indiciado por dois crimes de tráfico de influência. O sucateiro Manuel Godinho, que é o único preso preventivo do processo, foi o arguido mais acusado: cerca de 60 crimes, mais concretamente de um crime de associação criminosa, duas dezenas de crimes de corrupção e oito de tráfico de influência. Manuel Godinho é ainda acusado de três crimes de furto qualificado, 14 crimes de burla, doze de falsificação de notação técnica e ainda um de perturbação de arrematação pública, segundo o despacho que o Ministério Público revelou ao princípio da tarde, em Aveiro, aos advogados. No despacho final do Ministério Público foram acusados 34 pessoas e duas empresas, que neste último caso estão sujeitas a penas até à sua dissolução. Os crimes imputados genericamente aos arguidos são de associação criminosa, corrupção activa e passiva para acto ilícito, furto qualificado, burla, falsificação de notação técnica e perturbação de arrematação pública. A operação "Face Oculta" foi desencadeada a 28 de Outubro de 2009, pela Polícia Judiciária de Aveiro, na sequência de investigações a alegados crimes fiscais atribuídos ao sucateiro Manuel Godinho. Alguns dos principais arguidos que hoje conheceram em linhas gerais a sua acusação vão pedir a instrução do processo, segundo revelaram ao Expresso os seus advogados.

As declarações de Ana Paula Vitorino, ex-secretária de Estado, e de Luís Pardal, presidente da Refer, no âmbito do processo "Face Oculta" levaram o Ministério Público a abrir um inquérito sobre a atuação do ex-ministro Mário Lino. Ambos disseram que o então governante mostrava preocupações relativamente à forma como era tratada uma das empresas de Manuel Godinho, o industrial de sucata de Aveiro acusado de 59 crimes no processo que também envolve o ex-ministro Armando Vara. Mário Lino disse ao Expresso desconhecer qualquer investigação que o envolva e salientou que ele próprio enviou para o Ministério Público as conclusões de um inquérito da Inspeção-Geral das Obras Públicas a uma empresa de Godinho que detetou "matérias pouco esclarecidas".

Bem a propósito da lenha anterior...

Balelas e paleio de encher pneus!

No dia em que foi revelado um relatório que aponta Portugal como um dos países mais corruptos da Europa ocidental, o ministro da Justiça veio a público garantir que o Governo dará um «combate sem tréguas» ao fenómeno. «Não há limites para a melhoria das condições de combate ao crime em Portugal», afirmou o ministro, citado pela edição online do i, à margem de uma conferência sobre liberdade religiosa, no Porto. Alberto Martins deixou ainda a garantia de que o combate à corrupção é travado «todos os dias».

Notícia aqui.

É preciso não ter vergonha nenhuma na cara! A começar pelo partido dele e a acabar nos casos que temos visto não dar em rigorosamente nada, tudo prova exactamente o contrário. Não só o P.S. está enxameado com gente corrupta como alteram leis e até o Código de Processo Penal para os safar. Quando tudo issso falha, desaparecem documentos ou então os juízes proferem sentenças inexplicáveis. Uma vergonha! Como diria um amigo meu: paleio de shit!

Esta malta do P.S. não faz a coisa por menos. 23 crimes de uma assentada!

O ex-deputado socialista Carlos Lopes, eleito pelo círculo de Leiria, foi acusado pelo Ministério Público de 23 crimes, 19 dos quais de corrupção passiva. Em causa está a angariação de dinheiro para a campanha eleitoral autárquica de 2005, no concelho de Figueiró dos Vinhos. Segundo o «Diário de Notícias», Carlos Lopes, actual chefe de gabinete do Governador Civil de Leiria, terá prometido obras públicas a um grupo de construtores civis em troca de financiamento para as campanhas eleitorais. Durante a investigação, a Unidade Nacional contra a Corrupção da Polícia Judiciária apreendeu a Carlos Lopes, deputado entre 2005 e 2009, uma lista em papel timbrado da Assembleia da República com a indicação dos doadores e não doadores para a campanha autárquica em Figueiró dos Vinhos, num esquema que implicaria pagamentos por fora. Ainda segundo a acusação, elaborada pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal, parte da campanha terá sido mesmo custeada com verbas da câmara de Figueiró dos Vinhos. O socialista está acusado de 23 crimes, 19 de corrupção, mas de fora ficou o crime de financiamento ilegal de partido político, que exige queixa-crime, o que nunca aconteceu. Além de Carlos Lopes, foram ainda acusados no mesmo processo, o então vice-presidente da autarquia, irmão do primeiro, bem como um economista, técnico superior da autarquia. O antigo deputado Carlos Lopes que ainda não foi notificado da acusação rejeita os crimes que lhe são imputados. Sobre os alegados desvios de dinheiro da autarquia o socialista garante que a campanha foi custeada com verbas do Orçamento de Estado. Em declarações à Lusa, o ex-deputado explicou que «quando foi ouvido na Polícia Judiciária», a 3 de Novembro de 2009, foi-lhe transmitido que «não havia qualquer suspeição» sobre o facto de ter tirado «qualquer vantagem em benefício próprio». Carlos Lopes clarificou que, durante o tempo a que remontam os factos, «não poderia interferir nem influenciar, porque não estava ao serviço da Câmara de Figueiró dos Vinhos».

Notícia aqui.

É do melhor. Um bom exemplo de como usam o aparelho de Estado como se fosse deles e para benefício próprio.