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29 de setembro de 2010

Um dos pecados capitais, bem no seio da Igreja!

A Procuradoria de Roma congelou 23 milhões de euros nas contas do Banco Vaticano e lançou uma investigação contra o presidente da instituição por suspeita de branqueamento de dinheiro. De acordo com a agência Ansa, além de Tedeschi, também um outro responsável do banco está a ser investigado. Em causa está a alegada omissão, por parte dos dois responsáveis do banco, dos nomes dos autores de transacções financeiras suspeitas, como é exigido na nova cláusula da nova legislação anti-branqueamento que tornou obrigatória a referência dos autores das transacções financeiras, tal como o seu objectivo e natureza. O Vaticano expressou sua surpresa e perplexidade pela investigação judicial e já manifestou a máxima confiança nos dirigentes da instituição.

Notícia aqui.

E continuam a confiar neles...

10 de maio de 2010

Católicos à força. Por Daniel Oliveira.

Esta semana, ateus, agnósticos, protestantes, hindus, muçulmanos e judeus vêem as escolas dos seus filhos, públicas e supostamente laicas, encerradas. Razão: os católicos recebem o líder da sua Igreja e por isso todos os restantes são obrigados e ficar com os seus filhos em casa e muitos deles obrigados e pôr um ou dois dias de férias. Esta semana, os cidadãos portugueses ateus, agnósticos, protestantes, hindus, muçulmanos e judeus estão impedidos de tratar de qualquer assunto que envolva o Estado porque os católicos (ou alguém por eles) decidiram, ao arrepio da leis da República, parar o país para tratar dos seus assuntos. Esta semana, os funcionários públicos ateus, agnósticos, protestantes, hindus, muçulmanos e judeus estão impedidos de ir trabalhar para que os seus colegas católicos tratem de uma celebração religiosa que apenas a eles diz respeito. Esta semana os contribuintes ateus, agnósticos, protestantes, hindus, muçulmanos e judeus pagam as despesas salariais de todos funcionários públicos - os católicos e os que não o sendo não podem ir trabalhar - para que a Igreja Católica, uma entre várias, receba o seu Papa.
Diz a Constituição da República Portuguesa: "Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, perseguido, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever por causa das suas convicções ou prática religiosa". Repito: ninguém pode ser privilegiado ou beneficiado. E diz também: "O Estado não discriminará nenhuma igreja ou comunidade religiosa relativamente às outras". Estou seguro que quando mais algum religioso tiver uma qualquer celebração semelhante não terá direito ao mesmo tratamento. Esta semana a laicidade e neutralidade religiosa do Estado foi suspensa e todos somos católicos à força. Porque quando chega à relação do Estado com a Igreja Católica Apostólica Romana, os cidadãos não católicos são tratados como espectadores e a Constituição do País como adereço.

Artigo aqui.

Clarinho como água da chuva. Cada vez gosto mais do Daniel Oliveira e dos seus artigos.

14 de abril de 2010

Richard Dawkins: "eu vou prender o Papa".

Richard Dawkins, o militante ateu, está a planear uma emboscada legal para que o Papa Bento XVI seja detido por “crimes contra a Humanidade” durante a sua visita ao Reino Unido. Para o efeito, o autor já consultou uma série de advogados de direitos humanos para que seja aberto um processo contra Ratzinger sobre o alegado encobrimento de centenas de crimes sexuais dentro da Igreja Católica. O escritor acredita que o Papa não poderá invocar imunidade diplomática contra um eventual mandato de detenção, na medida em que ele não é um chefe de estado reconhecido pelas Nações Unidas. Dawkins, autor de “A Desilusão de Deus”, acusa o Santo Padre de encobrir de forma descarada o abuso sexual de menores dentro da comunidade católica: “Quando os seus sacerdotes são apanhados de calças na mão, o instinto deste homem é encobri-los e evitar escândalos. E depois que se lixem as vítimas”.
Notícia aqui.
E pergunto eu: posso ajudar em alguma coisa?

9 de abril de 2010

Pedofilia na sacristia em prosa cristalina.

O timing foi perfeito. Páscoa à vista. Crucificação. Redenção. Renascimento e perdão. A igreja pecou. Pedimos desculpa pelo incómodo mas os miúdos andavam por ali e o padre ou bispo antes de o ser é um homem como os outros. Logo de vez em quando peca, o danado. Dá-lhe para aquilo, para a pedofilia vejam bem, o maroto. Não está em causa a sinceridade das palavras do Cardeal, pessoa que respeito e considero. Mas o que ele não disse. Do que a Igreja não fala. Os silêncios por detrás das palavras bonitas e vazias em estilo litúrgico.
1 - Pedofilia é crime e não um mero "pecado da Igreja". Não estamos a falar de um padre que abusou do vinho durante a missa ou que faça tráfico de hóstias com as paróquias vizinhas. A coisa não se resolve com uma palmadinha nas costas e 2 ave-marias e 3 Pais-nosso. Não ouvi nas palavras do Cardeal as palavras abuso, crime ou pedofilia uma única vez.
2 - Como crime que é tem de ser investigado e punido. E convém sê-lo pela lei dos homens e não somente pela de Deus. O Deus tarda mas não falha não me parece que seja a atitude mais correcta nestes casos. Esperar pela justiça divina não chega.
Igualmente não chegam a meia dúzia de repreensões de sacristia. E muito menos tolerar coisas do género "tens de te portar como deve ser. Agora vais para outro lugar mas sem andares por lá feito palerma atrás dos garotos".
3 - A Igreja devia lavar a cara sim. Mas podia começar por denunciar o que sabe. Quem "pecou" deve ser punido. Se os padres são homens como todos os outros, apesar de a própria Igreja os não tratar como tal, suponho que não deveriam viver acima da lei. E em caso da prática de um crime deviam ser acusados e engavetados como os demais, e não "transferidos" ou "reciclados". Nunca apenas fechados na gaveta incómoda da sua própria consciência.
4 - A pedofilia, ao contrário do que alguns tentam fazer parecer, não é um crime exclusivo da Igreja. É transversal na sociedade. Mas porque será que na restante sociedade os casos não proliferam desta forma avassaladora? Será que a Ordem dos médicos encobriria durante anos a fio casos de abusos sexuais de médicos a pacientes menores? Ou outra Ordem qualquer, Associação, Ministério, Empresa ou até simples grupo de amigos? Não me parece.
Será que o escamotear deliberado não levou à proliferação de casos? Não estaremos a assistir a um terrível milagre da multiplicação dos casos de pedofilia pela omissão e dissimular sucessivo dos mesmos? Seriam estes os "pecados da Igreja" de que falava o Cardeal Patriarca de Lisboa: os encobrimentos sucessivos de crimes praticados por membros do Clero?
Só podem ser porque os outros são crimes. Crimes praticados por homens que por mero acaso ou suposta vocação são membros da Igreja. Mas tão criminosos como os outros.

Artigo aqui.

Mais nada! E vem aí mais do Tiago Mesquita, colunista por quem começo a nutrir uma galopante simpatia.

26 de fevereiro de 2010

Olha a novidade!

A solução para acabar com a pobreza em Portugal deve assentar na economia, diz o especialista Bruto da Costa. O que dizem, então, os economistas? Uns que é preciso flexibilizar o trabalho, outros que é preciso distribuir bem a riqueza. Em que é que ficamos? "O problema principal de Portugal prende-se com a distribuição da riqueza", começa o economista Luís Bento, professor na Universidade Autónoma de Lisboa e membro do Grupo de Paris de Ética e Responsabilidade Social. Pormenorizando, este esconomista explica que "em Portugal remunera-se muito melhor o factor capital do que o factor trabalho". Ou seja, enquanto que nos países escandinavos 30% da riqueza gerada pelas empresas é para remunerar o capital (accionistas), 30% o trabalho (trabalhadores) e 40% para reinvestir, num balanço visivelmente equilibrado, aqui a remuneração do capital é muito mais elevada do que a remuneração do trabalho. Curiosamente, afirma Luís Bento, "Portugal tem uma riqueza global muito perto da gerada na Finlândia, o problema é que não sabe distribuir a sua riqueza". Para o economista e professor da Universidade Católica João César da Neves, nos antípodas desta perspectiva, o problema da pobreza em Portugal prende-se com "a constante asfixia das empresas portuguesas". "As empresas são asfixiadas com impostos e, sendo assim, optam pela precariedade, pelos salários baixos, até porque muitos empresários também são pobres. Por outro lado, as leis que são criadas para proteger os trabalhadores também ajudam a bloquear a economia. A economia faz-se através da flexibilização laboral", resume. Luís Bento desmonta esta visão. "É verdade que a maior parte (86%) do nosso tecido empresarial são pequenas empresas, mas esses 86% só geram 30% da riqueza. Os outros 70% são gerados pelas grandes empresas - telecomunicações, energia e sector financeiro- que têm muito lucro e poderiam pagar bem aos trabalhadores, bem como aliviar a pressão sobre a economia, se não estivessem obcecados em remunerar tão bem os seus accionistas", explica. Basicamente, se as grandes empresas pagassem melhor aos seus trabalhadores, estariam a aumentar-lhe o poder de compra e, obviamente, a aumentar a procura interna e a dar vida às pequenas empresas que são as que empregam 91% dos trabalhadores.

Notícia aqui.

Oh João César das Neves, não queres ir para o caralho que te foda? Devias ter vergonha de ser católico!

2 de fevereiro de 2010

Imaginem se Deus benzesse os esgotos!

Mais de uma centena de ortodoxos russos tiveram de ser hospitalizadas após terem bebido "água benta" em Iskutsk, na Sibéria. Os afectados, entre os quais 48 crianças, estão a receber tratamento hospitalar para dores intestinais agudas, que surgiram após terem bebido água de poços nas imediações de uma igreja local. Os crentes estavam a celebrar a epifania (que em grego quer dizer 'aparição' ou 'revelação'), normalmente comemorada pelos ortodoxos russos a 19 de Janeiro. Muitos russos acreditam que toda a água obtida durante a epifania é sagrada, sendo tipicamente engarrafada e consumida mais tarde. A água corrente da maior parte da Rússia não é potável. O porta-voz Vladimir Salovarov disse que um total de 204 pessoas necessitou de algum atendimento médico, mas que é muito cedo para dizer exactamente o que causou a doença. A Igreja Ortodoxa Russa é uma das maiores igrejas ortodoxas orientais, sendo apenas ultrapassada pela Igreja Católica Romana entre as igrejas cristãs. Estimativas apontam 135 milhões como o número de seguidores da Igreja Ortodoxa russa em todo o mundo.

Notícia aqui.

Haja paciência...

11 de janeiro de 2010

Também me parece...

Não se pode deixar de estar de acordo com o Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa quando afirma (Público, 01.01.2010) que «os graves problemas da sociedade exigem uma profunda revolução cultural e civilizacional». Mas, com toda a consideração, causa alguma perplexidade a proposta citada a seguir na mesma notícia: a de que se realizassem «cimeiras de aprofundamento civilizacional», à semelhança das cimeiras «sectoriais» que se realizam sobre o ambiente, a crise financeira, a economia, etc. Na Enciclopédia Luso-Brasileira, o conceito alargado de civilização significa o conjunto das manifestações da vida material e espiritual de um povo ou de uma época. E, embora o Sr. Cardeal assinale, justamente, que vivemos uma época de globalização em que existem «problemas comuns a toda a família humana», não parece razoável que daí se conclua que exista, ou que seja útil que se procure, um «aprofundamento civilizacional» global, e muito menos que esse aprofundamento seja alcançável em cimeiras. Infelizmente, no quadro da globalização capitalista, poucas coisas cheiram mais a esturro do que as cimeiras. E mais: sempre que uma cimeira falha, como fracassou estrondosamente a conferência de Copenhaga, esse facto constitui em geral melhor notícia do que seria a do seu êxito. Porque não existe um único dos «problemas comuns a toda a família humana» que não tenha a sua mais funda raiz na própria natureza do capitalismo. A depredação ambiental global, as extremas injustiças e as desigualdades sociais, a violência e a guerra não são dissociáveis da essência do capitalismo. Se nenhuma «cimeira sectorial» sobre a crise do capitalismo pode apresentar qualquer solução para essa crise, é porque a sucessão de crises é intrínseca ao próprio capitalismo. E o capitalismo só supera cada crise preparando crises mais generalizadas e mais graves, e reduzindo os meios para prevenir as crises, como Marx e Engels assinalavam já no «Manifesto». É nesses termos que, partilhando o desejo do Sr. Cardeal de que se procure «[….] a promoção da justiça, de modo particular nos sistemas económico-financeiros e sociais», seria de desejar que, em contrapartida, compartilhasse o Sr. Cardeal connosco a luta pelo socialismo. Porque não será em cimeiras, mas na infinita e poderosamente diversa e criadora luta dos povos pelo socialismo que será realizada a revolução civilizacional capaz de superar os problemas com que a humanidade actualmente se defronta.

Artigo aqui.

4 de janeiro de 2010

Quando a Igreja se envergonha a si própria...

A denúncia é feita pelo presidente em Portugal da Rede Europeia Anti-Pobreza, mas já remonta ao dia 5 de Setembro de 2009, data em que o cónego Manuel Martins foi dispensado das funções de pároco da Sé do Funchal e deslocalizado para Machico e Ribeira Seca. «Na região da Madeira, o meu colega, que era pároco da sé catedral do Funchal, porque falou nas missas da defesa das crianças, dos pobres do Funchal, teve atrás dele uma comissão do Governo do Madeira para investigarem se ele era comunista. Como se nós tivéssemos num país não sei o quê», disse Jardim Moreira à RTP, falando em pressões constantes. «Por defender e falar da pobreza é colocado numa aldeia», frisou, considerando que «este caso tem de ser denunciado, porque não é possível que no Estado português, onde há separação do Estado e da Igreja, não haja liberdade de pregar pela defesa dos pobres e que isso seja penalizado». «Temos regiões do país onde não é permitido pregar o evangelho, o amor, apontar as mazelas reais», frisou. O cónego Manuel Martins foi afastado do cargo a 5 de Setembro, segundo decreto do Bispo do Funchal, D. António Carrilho, tendo tomado posse em Machico a 26 do mesmo mês. Foi substituído pelo cónego Vítor dos Reis Franco Gomes. Na altura, Manuel Martins assegurou que saiu da Sé por razões pessoais, mas agora surge a confirmação das suspeitas levantas então, de que seria por motivos políticos.

Notícia aqui.

Palavras para quê?

6 de novembro de 2009

Já é um começo!

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos manifestou-se ontem contra a presença de crucifixos nas salas de aula em Itália, na sequência de uma queixa apresentada por Solie Lautsi, uma finlandesa casada com um italiano e mãe de Dataico e Sami Albertin. De acordo com os sítios de internet da BBC e do Avvenire, o tribunal considerou que a presença de crucifixos numa sala de aula viola o direito dos pais “a educar os filhos segundo as suas convicções” e também a “liberdade religiosa dos alunos”. Solie Lautsi tinha apresentado o recurso junto do tribunal europeu em Julho de 2006, depois de o Tribunal Constitucional italiano ter considerado não ter jurisdição sobre o caso e de o Tribunal Administrativo do Veneto (nordeste de Itália) ter dito que o crucifixo é o símbolo da história e da cultura italiana – posição confirmada em Fevereiro de 2006 pelo Conselho de Estado. A sentença dos sete juízes (entre os quais o português Ireneu Cabral Barreto) é a primeira do género no tribunal europeu. E estabelece ainda que o Estado italiano deverá pagar cinco mil euros por danos morais, mas o Governo italiano anunciou já que irá recorrer da sentença, de acordo com o juiz Nicola Lettieri, que defende a Itália no tribunal de Estrasburgo. Um crucifixo na sala de aula pode ser “facilmente interpretado pelos estudantes de todas as idades como um símbolo religioso”. Os alunos estariam assim a ser educados num ambiente escolar com “as marcas de uma religião”, considera o tribunal. O que poderá ser “encorajador para os estudantes religiosos, mas incómodo para os alunos que praticam outras religiões, em particular se pertencem a minorias religiosas ou se são ateus”. O tribunal considera ainda que um símbolo “associado ao catolicismo” – mas que é utilizado também pelos cristãos ortodoxos e protestantes, neste caso, com menos carga simbólica – “possa servir o pluralismo educativo”. Numa nota divulgada pouco depois de conhecida a sentença, a Conferência Episcopal Italiana considerou que a decisão suscita “amargura e não pouca perplexidade”. E acrescentava ser necessário aprofundar as “motivações” do que aparenta ser uma visão “parcial e ideológica”. Os bispos acrescentavam que a sentença ignora também que, além de “símbolo religioso”, o crucifixo é também um “sinal cultural”. E não tem em conta, acusam, que a exposição do crucifixo em lugares públicos está de acordo com o reconhecimento dos princípios do catolicismo como parte do património histórico do povo italiano”.

Notícia aqui.

É também destes pequenos avanços que é construída a liberdade. Esperemos que esta imagem desapareça de vez das nossas escolas, pelo menos das públicas.

14 de setembro de 2009

Afinal nem a tropa escapa carago!

O Tribunal de Instrução Criminal do Porto decidiu mandar para julgamento um processo relativo a uma rede de corrupção que durante anos funcionou no Hospital Militar do Porto e Centro de Recrutamento e Selecção para a tropa. No banco dos réus vão sentar-se mais de 60 arguidos acusados pelo Ministério Público do Porto por dezenas de crimes de corrupção e falsificação de documentos. Desde a data da acusação (2006), já morreram dois dos arguidos. O juiz de instrução criminal, Paulo Nunes, decidiu não dar razão aos arguidos, nomeadamente os que defendiam que o caso deveria ser de imediato arquivado porque uma alteração legislativa terá acabado com os crimes de corrupção no âmbito militar. Considerou, ainda, válidas as escutas telefónicas efectuadas pela Polícia Judiciária. Além disso, aquele magistrado resolveu mudar a respectiva moldura penal dos crimes de falsificação de que estavam acusados os suspeitos, agravando-a em virtude de os considerar funcionários públicos. A presumível fraude está relacionada com um esquema que funcionou, entre os anos 2001 e 2003, no Hospital Militar e no Centro de Recrutamento e Selecção do Porto. Envolvidos, além dos beneficiários (os mancebos que conseguiam livrar-se da tropa), estão 12 militares e médicos. Segundo o Ministério Público, os líderes da rede chegaram a amealhar, cada um, cerca de 500 euros por semana. As autoridades arrestaram as contas bancárias de todos os envolvidos que, no momento da apreensão, totalizavam cerca de 220 mil euros. O estratagema foi detectado numa investigação da Polícia Judiciária do Porto, através de escutas telefónicas e buscas domiciliárias e nos locais de trabalho dos suspeitos. Tudo começava com a angariação de interessados - havia inclusive um padre que representava o grupo em Ponte de Lima -, continuava com o pagamento de subornos entre 1250 e 4500 euros e terminava com um "teatro" nos exames médicos ou uma falsificação de análises clínicas.

Notícia aqui.

Como o exemplo vem de cima e em cima é aquilo que se sabe, como condená-los?

3 de agosto de 2009

Já faltou mais...

A associação ILGA Portugal diz que a decisão do Tribunal Constitucional mostra uma «clara divisão» na apreciação da legalidade do casamento homossexual em Portugal e uma «urgência» em resolver a questão via parlamentar, revela a Lusa. Esta sexta-feira, o jornal «Diário Económico» divulgou que o Tribunal Constitucional (TC) vai negar o casamento homossexual entre Teresa Pires e Helena Paixão. O TC alega que a Constituição não prevê a união civil entre homossexuais e que não encontrou nenhuma violação do princípio de igualdade do Código Civil. De acordo com a Lusa, o advogado do casal comprovou ter a «indicação de que já há decisão» e que «faltam as declarações de voto» dos cinco juízes. De acordo com o mesmo, três votaram contra e dois votaram a favor. A ILGA destaca ainda que «é patente a clara divisão na apreciação da inconstitucionalidade: dois dos cinco juízes garantiriam desde já o casamento das duas cidadãs, confirmando que a Constituição obriga a que assim aconteça; três juízes não consideram que a Constituição obrigue à existência desta possibilidade, remetendo no fundo a questão para o Parlamento». Para a socióloga e investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Ana Cristina Santos, o facto do Tribunal Constitucional não ter reunido consenso, demonstra que as mentalidades estão a mudar. «O facto de a decisão não ter sido unânime traduz alguma mudança, mas essa mudança não foi suficiente para reverter a decisão», revela à Lusa. A investigadora diz ainda que o acórdão do TC «é fortemente negativo» em termos de direitos humanos e de cidadania sexual. Já o candidato a deputado pelo PS e activista dos direitos homossexuais, Miguel Vale de Almeida, diz que a decisão do TC significa que a autorização do casamento homossexual caberá ao Parlamento. «Para todos os efeitos, o Tribunal Constitucional está a dizer que é uma decisão parlamentar e política», afirma. O activista acrescenta ainda que os juízes não se pronunciaram sobre o casamento homossexual em Portugal, mas sim sobre o caso específico de Teresa e Helena. «O caso delas não tem nenhuma consequência no casamento», sublinha o candidato a deputado do PS pelo círculo de Lisboa.

Notícia aqui.

Devagar se vai ao longe e o direito aqui consignado acabará por prevalecer. Só pode, a bem da igualdade de direitos e da promoção de uma sociedade inclusiva!

31 de março de 2009

O Papa que não se preocupe...

...porque a malta em África não quer as camisas para pôr na gaita!
O filme que se segue, realizado por Orlando Mesquita de Moçambique, é uma pequena delícia que mostra como se pode fazer uma bola de futebol com preservativos. Vale a pena!




30 de março de 2009

Uma citação a propósito da religião.

"O viajante não está de boa maré. Quer a cultura em que se formou que a arte, quase toda ela, ou pelo menos as suas expressões mais altas, tenha sido criada no seio da instituição religiosa. Ora, tal religião apregoa mais preocupações de vida eterna do que alegrias desta transitória vida, que alegre devia ser, e plena. Quer a religião católica que tudo sejam macerações, cilícios, jejuns, e, se isto não quer tanto hoje, continua a resistir mal às tentações. Alegrias, não as há, e os jubílos hão-de ser celestes, ou contemplativos, ou místicos e extáticos. (...)"


Extracto de "Viagem a Portugal" de José Saramago (pág. 126), Editorial Caminho.


Brilhante, embora sumária, descrição da religião católica e da forma perniciosa como pode limitar a vida e o pensamento de quem a professa. O viajante volta já...

24 de março de 2009

Nosferatu!

Dezassete anos depois de ter publicado o cartoon do Papa João Paulo II com um preservativo enfiado no nariz, que gerou uma enorme polémica em Portugal, o “Expresso” volta a publicar um novo cartoon assinado por António, em que o actual Sumo Pontífice, Bento XVI, é representado com um preservativo envolvendo toda a cabeça, depois de ter dito que esses contraceptivos podem fazer “aumentar o problema” da sida num dos continentes mais afectados pela pandemia: África.


O primeiro cartoon, publicado em 1992, teve origem numas declarações proferidas pelo Papa João Paulo II, igualmente durante um périplo por África, no qual condenou o seu uso. A imagem acabou por gerar muita polémica e chocar alguns dos sectores mais conservadores da sociedade portuguesa.


Aguardando nova polémica, o “Expresso” declara: “porque julgamos que esta é a única forma de preservar a liberdade de expressão, voltamos a publicar um trabalho de António susceptível de gerar acesa polémica”.
Notícia aqui.
Está mais uma vez de parabéns o cartoonista António, que não tem medo e que não se coíbe de desenhar a sua opinião em nome da liberdade de expressão e do cerceamento do ridículo. De facto, a Igreja Católica não sabe quando parar na sua obtusa visão do mundo.

23 de março de 2009

Por isso ele se estava sempre a rir...

O padre Vítor Melícias, ex-alto comissário para Timor-Leste e ex-presidente do Montepio Geral, declarou ao Tribunal Constitucional, como membro do Conselho Económico e Social (CES), um rendimento anual de pensões de 104 301 euros. Em 14 meses, o sacerdote, que prestou um voto de obediência à Ordem dos Franciscanos, tem uma pensão mensal de 7450 euros. O valor desta aposentação resulta, segundo disse ao CM Vítor Melícias, da "remuneração acima da média" auferida em vários cargos. (...)

Notícia completa aqui.
E estamos a falar de um padre franciscano... Definitivamente a abnegação já não é uma característica da Igreja Católica e dos seus membros.

13 de fevereiro de 2009

O que ela merece é ser legalizada.

Almeida Santos admite que debate sobre eutanásia merece referendo.
O presidente do PS, Almeida Santos, considerou, esta quarta-feira, que a legalização da eutanásia é uma das questões que justificam um referendo nacional. Para o ex-presidente da Assembleia da República, a eutanásia é um «direito como outro qualquer».

Notícia aqui.

Mais uma questão que os padrecas vão considerar fracturante... Pudera! Cada vez mais se torna evidente, mesmo aos olhos dos ditos crentes, que Deus não existe. E se existisse só podia ser mau, assim tipo Diabo! "Desculpe lá padre, mas o seu Deus não é o meu, o meu Deus ilumina, não deixa os filhos no breu" (Da Weasel). É uma elementar questão de direitos humanos dar a possibilidade, a alguém que está sob sofrimento extremo e sem hipóteses de sobrevivência com o mínimo de dignidade, de decidir se quer ou não suportar tal martírio. A igreja não pode limitar aquilo que é uma decisão individual, muito menos limitar uma sociedade inteira.

11 de fevereiro de 2009

Os padrecas andam a meter muito a cabeça de fora.

As posições da Igreja Católica Portuguesa veiculadas nos últimos tempos, alto e bom som, na comunicação social, já começam a meter nojo. Assim mesmo, nojo. Andam a bater com a bola demasiadamente alto, pensando certamente que ainda reina Salazar com cujas ignomínias pacificamente pactuaram. Vivemos numa República Laica, onde ninguém pode ser discriminado em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual. Se querem continuar a viver neste país, devem fazê-lo em respeito pelas leis da República, muito mais ainda quando se trata da matriz das leis. Primeiro vem um com a questão do casamento entre religiões, numa falta de respeito clara por outra religião, neste caso a muçulmana. E agora vem outro apelar a que não se vote em partidos que reconheçam um direito constitucionalmente reconhecido, para além de ser uma questão de direitos humanos, que é o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas quem é que pensam que são estes gajos para imporem as suas ideias rançosas? Cumpra-se a Constituição!