17 de julho de 2009

Ora aí está o resultado do papelito...

A falta de verificação dos trabalhos a mais nas empreitadas. Ausência de verificação dos termos em que os contratos públicos são celebrados. Falta de controlo sobre conflitos de interesses e favoritismos. Ausência de sensibilização dos funcionários públicos para a intolerância face a casos de corrupção. São algumas das falhas detectadas pelo Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC) na actuação dos organismos públicos. E representam “riscos elevados de corrupção”. As conclusões surgem no relatório-síntese do questionário sobre avaliação da gestão de riscos de corrupção e infracções conexas, a que responderam cerca de 700 serviços e organismos da administração pública, central, regional e local, incluindo o sector empresarial local. E embora não sejam feitas considerações qualitativas sobre as falhas detectadas, o seu reconhecimento levou o CPC a deliberar no sentido de serem feitos planos de gestão de riscos de corrupção por todas as estruturas públicas que mexam em valores. Neste relatório-síntese fala-se de tendências, umas unânimes, outras relativas, outras evidentes, outras generalizadas. São os únicos adjectivos do documento, que se limita a constatar tendências e padrões. Na área da contratação pública, por exemplo, verifica-se uma “tendência generalizada” dos serviços para não negociarem os termos dos contratos nem sequer serem eles a redigir as respectivas minutas. Muitas vezes essa tarefa é confiada a “gabinetes externos especializados”. A preparação dos projectos e cadernos de encargos é também com frequência feita por “especialistas externos”, sem um padrão uniforme nessa contratação. Como se não bastasse, os serviços “tendem a não verificar” os termos em que o contrato é celebrado, nem a garantir que não são feitas adendas ou alterações a posteriori, nem mesmo, no caso das empreitadas, a verificar se há motivos reais para a existência de trabalhos a mais. No entanto, cumprem-se os formalismos burocráticos, como exigir declarações de inexistência de interesses particulares entre as partes ou não ultrapassar os limites legais para a execução dos contratos. Quando os contratos são de aquisição de bens ou serviços, verifica-se não existirem medidas para prevenir conflitos de interesse, pondo-se em causa a transparência e abrindo a porta a “eventuais situações de corrupção e de favoritismo injustificado”. Para mais, é frequente só se avaliar a qualidade e o preço dos bens e serviços adquiridos depois das compras e contratos feitos. A situação também é opaca em matéria de concessão de benefícios públicos. A chamada “subsidiodependência” parece começar nos próprios serviços, que preferem conceder subsídios a outras formas de apoio, como bonificações, ajudas, incentivos ou donativos, diz o relatório. Mas o mais grave é a falta de fundamentação e de controlo nessa atribuição. Os serviços poucas vezes fixam prazos e formas de verificação e apreciação desses apoios. E não verificam “eventuais relacionamentos” entre a entidade fiscalizadora e o beneficiário que possam pôr em causa a isenção da fiscalização.
Notícia aqui.
E pronto, como disse aqui foi mais um papelito para os meninos preencherem, mas medidas concretas ou a pura e simples investigação das inúmeras irregularidades que beneficiam privados à custa do Estado, nada! O regabofe é para continuar!

16 de julho de 2009

Fluxograma dos Mamões dos CTT.


(clicar na imagem para aumentar)

Vergonha!

Escutas telefónicas realizadas no processo dos CTT - que investiga suspeitas de gestão danosa e tráfico de influências, entre outros crimes - revelaram aos investigadores contactos entre elementos da Maçonaria, procuradores do Ministério Público e inspectores da Polícia Judiciária. O pivô destas ligações é José Manuel Grácio, um antigo publicitário, que o DN procurou insistentemente localizar e contactar, mas não foi possível. Os primeiros elementos das ligações foram obtidos através de escutas telefónicas a Júlio Macedo, antigo administrador da TCN Portugal, a empresa que comprou aos CTT um prédio em Coimbra. Segundo fonte ligada ao processo, foram interceptadas conversas entre aquele e José Manuel Grácio. Este terá feito referências expressas à sua condição de maçon e terá prometido recolher informações sobre a investigação em curso, na qual Júlio Macedo acabou por ser constituído arguido. Certo é que, perante estas suspeitas, um juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa autorizou escutas telefónicas a Manuel Grácio. Durante 15 dias, o antigo dono da empresa Jotacê (que chegou a fazer uma campanha para a Prevenção Rodoviária) foi colocado sob escuta. Nesta operação foram interceptadas dezenas de conversas com inspectores da PJ e procuradores do Ministério Público. As escutas, segundo o DN apurou, não foram transcritas. No processo, como o actual Código do Processo Penal obriga, constam apenas resumos das conversações. Só se o Ministério Público acusar e o processo seguir para a fase de instrução é que os arguidos, a acusação ou o juiz podem transcrever as conversas, se estas forem consideradas importantes para a descoberta da verdade. O caso tem sido comentado em surdina no interior da Judiciária e no Ministério Público, estando a causar polémica no interior de ambas as estruturas. "Quando tomámos conhecimento do que estava em causa, ficámos sem saber em quem confiar", adiantou ao DN fonte ligada à investigação. Esta investigação, concluída pela Unidade Nacional Contra a Corrupção da PJ, tem como focos principais a venda, em 2003, de dois prédios dos CTT, um em Coimbra e outro em Lisboa. O edifício de Coimbra foi vendido pelos CTT, por 15 milhões de euros, à empresa Demagre, que o revendeu, no mesmo dia, à Espírito Santo Activos Financeiros (ESAF), por 20 milhões. No negócio, a Demagre acabou como inquilina da ESAF e tratou de subarrendar o edifício. Ao que o DN apurou, a investigação conseguiu apanhar o rasto de 600 mil euros que foram levantados em numerário e que terão servido para o pagamento de comissões no negócio de Coimbra. Aliás, nas dezenas de buscas que fez, a Judiciária apreendeu notas pessoais a alguns dos intervenientes, que fazem referência a essas comissões, usando expressões como "Amigos dos CTT" e "mamões dos CTT". Tal como o DN online avançou, há várias pessoas suspeitas de terem recebido comissões à volta dos 50 mil euros e, por isso, são suspeitas dos crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais. O processo está agora nas mãos da 9.ª secção do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa.


Notícia aqui.
Mas há mais, para se conseguir perceber a complexidade da teia:



Como disse aqui, esta gente come toda da mesma gamela, como os porcos! And now, for something completely diferent, a cereja no topo do bolo, ou seja, quem são os mamões! A variedade de siglas atesta bem o tamanho da gamela... É já a seguir!

15 de julho de 2009

Cálice.

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça




Chico Buarque de Holanda, Álbum "Chico Buarque 1978"

Eh pá, isto afinal é o país do afastamento!

As movimentações relativas à tentativa de desviar a acusação do Pinóquio no caso Freeport estão a turvar as águas, já de si lodacentas, da justiça portuguesa. Numa perspectiva menos mineral e mais animal, parecem galos engalfinhados numa capoeira com poucas galinhas e, pior que tudo, onde os ovos tardam a ser postos! Assim não vamos conseguir fazer a omolete, para novo descrédito absoluto da nossa democracia e respectivo sistema judiciário... Aquilo que aprenderam na escola (quando ainda se aprendia alguma coisa!) sobre os vários poderes nacionais e sua necessária separação, esqueçam! De facto, depois de se bater no fundo ainda se pode ir para pior. Entra-se pelo lodo abaixo e esse ninguém sabe que profundidade tem. Aqui ficam as pérolas:

A associação Força Emergente, assistente no caso Freeport, irá pedir esta quarta-feira o afastamento da procuradora Cândida Almeida deste processo judicial. Quem o diz é Carlos Luís, um dos fundadores do movimento, citado pela agência Lusa, que adianta que o pedido deverá ser entregue esta manhã no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). A associação Força Emergente é uma associação cívica com fins políticos, constituída por empresários, gestores, consultores internacionais, advogados, professores, psicólogos, historiadores, médicos e enfermeiros. «Estando nós constituídos assistentes no processo Freeport, não gostamos da forma como se está a processar o seu desenvolvimento», revelou o responsável, ao considerar que Cândida Almeida «não consegue ter independência para estar à frente de um processo em que o próprio primeiro-ministro é visado». (...) O movimento «não gosta da proximidade existente entre a procuradora Cândida Almeida e as várias figuras destacadas do PS», destacou, revendo que a associação perdeu a confiança na responsável. «O funcionamento da justiça em Portugal é uma mistificação autêntica», afirmou em nome do movimento que representa. O processo do Freeport de Alcochete envolve alegadas suspeitas de corrupção e tráfico de influências no licenciamento do centro comercial, em 2002, quando o actual primeiro-ministro, José Sócrates, ocupava o cargo de ministro do Ambiente. (...)

O presidente da Eurojust pediu o afastamento do inspector que dirige o processo disciplinar instaurado contra si por "incidente de suspeição", avançou a Lusa, que cita fonte do Conselho Superior do Ministério Público (CSMP). De acordo com a TVI24, a suspeição prende-se com o facto de o inspector Vítor Santos Silva, que dirige o processo disciplinar por alegadas pressões sobre os magistrados titulares do caso Freeport, já ter conduzido o inquérito que levou à abertura do processo. O pedido do procurador-geral adjunto foi comunicado ao CSMP por Pinto Monteiro, procurador-geral da República, referiu a fonte citada pela Lusa. A Secção Disciplinar do CSMP vai apreciar em breve este "incidente de suspeição", movido por Lopes da Mota ao inspector do Ministério Público Vítor Santos Silva. Lopes da Mota poderá, depois, recorrer da decisão da Secção Disciplinar para o Plenário do Conselho Superior. Instaurado a 18 de Maio, o processo disciplinar visa "o esclarecimento dos factos e o apuramento da consistência das afirmações" interpretadas como pressões sobre os magistrados titulares na investigação ao processo de corrupção Freeport, Vítor Magalhães e Paes de Faria. A investigação à alegada corrupção e tráfico de influências no licenciamento do complexo comercial Freeport tem vários arguidos. José Sócrates, actual primeiro-ministro, era em 2002 ministro do Ambiente do governo já em gestão de António Guterres.

Sem medos!









Atentem bem nas palavras deste Senhor, de nome Medina Carreira. A dar razão ao que escrevi aqui sobre recrutamento de pessoas para os partidos políticos e na continuação do que ele afirmou aqui. São cada vez menos neste país de poetas e de vendidos, infelizmente, os cidadãos que não têm medo de pôr o dedo na ferida e carregar com força para sair, ainda que pouco, algum pus...

14 de julho de 2009

"Esta noite sonhei com Mário Lino", por Miguel Sousa Tavares.

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:

- É sempre assim, esta auto-estrada?

- Assim, como?

- Deserta, magnífica, sem trânsito?

- É, é sempre assim.

- Todos os dias?

- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.

- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?

- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.

- E têm mais auto-estradas destas?

- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.

- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?

- Porque assim não pagam portagem.

- E porque são quase todos espanhóis?

- Vêm trazer-nos comida.

- Mas vocês não têm agricultura?

- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.

- Mas para os espanhóis é?

- Pelos vistos...

Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:

- Mas porque não investem antes no comboio?

- Investimos, mas não resultou.

- Não resultou, como?

- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.

- Mas porquê?

- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.

- E gastaram nisso uma fortuna?

- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...

- Estás a brincar comigo!

- Não, estou a falar a sério!

- E o que fizeram a esses incompetentes?

- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.

- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?

- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.

Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.

- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?

- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.

- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?

- Isso mesmo.

- E como entra em Lisboa?

- Por uma nova ponte que vão fazer.

- Uma ponte ferroviária?

- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.

- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!

- Pois é.

- E, então?

- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.

Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.

- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...

- Não, não vai ter.

- Não vai? Então, vai ser uma ruína!

- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.

- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?

- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!

- E vocês não despedem o Governo?

- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...

- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?

- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.

- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?

- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.

- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?

- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.

Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:

- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?

- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.

- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?

- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.

- Não me pareceu nada...

- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.

- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?

- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.

- E tu acreditas nisso?

- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?

- Um lago enorme! Extraordinário!

- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.

- Ena! Deve produzir energia para meio país!

- Praticamente zero.

- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!

- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.

- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?

- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.

- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?

- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.

Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:

- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?

- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.

Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!
Artigo aqui.
Apenas discordo do título, porque isto não é um sonho, é um daqueles pesadelos em que acordamos como na música de Chico Buarque: "e baba na fronha e se urina toda e já não tem paz..."

O esquema do BPN para infantes...

13 de julho de 2009

"Desenhando o Futuro" por Jacque Fresco. Sétimo Capítulo.

Automóveis.


Automóveis optimizados tecnologicamente poderão fornecer alta velocidade, consumo eficiente de energia e viagens de longo curso seguras. Alguns veículos poderão ter rodas, enquanto outros serão equipados com sistemas de levitação magnética ou, à semelhança dos overcraft, sistemas de flutuação com deslocação do ar. Estes veículos seriam equipados com tecnologia de reconhecimento de voz, que permite aos passageiros indicar oralmente o destino pretendido. Para além dessa inovação, sistemas auto-monitorizados indicariam aos veículos a altura exacta para efectuar a necessária manutenção, sendo possível que se deslocassem sozinhos para essa manutenção em instalações próprias. O uso de energia eléctrica limpa e não poluente permitiria um funcionamento silencioso destes automóveis. Sensores de proximidade ligados a sistemas automáticos de velocidade e travagem são o garante de que não veremos estes automóveis envolvidos em acidentes. Como segunda medida de segurança, todo o interior será forrado com uma membrana de protecção. Não obstante e dentro da cidade, a mobilidade em geral será assegurada por transferes horizontais, verticais, radiais e circulares.

"Desenhando o Futuro" por Jacque Fresco. Sétimo Capítulo.

Navios e Canais.

Um sistema de transporte nacional eficiente incluiria forçosamente uma rede de canais navegáveis e sistemas de irrigação paralelos nos quais flutuariam fábricas automatizadas e navios dedicados ao transporte de carga e pessoas. Numa abordagem inovadora da educação seria possível constituir centros de educação flutuantes onde adultos e crianças pudessem viajar de uma área do continente para outra enquanto apreendiam os mais variados assuntos relacionados com o mundo onde vivem, não apenas através dos tradicionais livros como também através da interacção directa com o ambiente do mundo real.




Nesse sentido, mega-projectos hidrológicos seriam parte integrante do planeamento inter-continental, minimizando os efeitos de cheias e secas, enquanto ajudavam nas migrações de peixes, na remoção de sedimentações acumuladas e também na criação de locais adequados para a limpeza de detritos agrícolas e urbanos. As águas provenientes das cheias seriam desviadas para bacias de armazenamento, permitindo assim a sua utilização em alturas de seca. Este sistema não ajuda apenas a manter o nível das águas como também serve para estabelecer barreiras naturais e reservas de água contra incêndios. Para além disso, esses canais serviriam ainda para alimentar campos agrícolas, as pisciculturas interiores, proteger as zonas húmidas e fornecer água para áreas de recreio.

Under pressure!

O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público acusou o governo de tentar subverter a independência da justiça. As declarações foram feitas numa conferência sobre independência do poder judicial e sindicalismo. Na assistência estavam os magistrados do Freeport, o juiz Carlos Alexandre e os magistrados Vítor Magalhães e Paes de faria. A acusação surge numa altura em que a investigação do caso Freeport se encontra parada por falta de colaboração das autoridades britânicas e em que se fala novamente de pressões sobre os magistrados.
Notícia aqui.
É impressionante a falta de pudor que esta gente da política, neste caso com cargos governativos, tem. Como já não têm ponta de ética e de atitude democrática, pensam que os demais são como eles ou, em última instância, tentam obrigá-los a ser assim, sem verticalidade, isenção, sentido de justiça, sem nada daquilo que é próprio a um ser humano que se preze.

10 de julho de 2009

O teste psicotécnico.

Um sujeito está numa entrevista para emprego. O psicólogo dirige-se ao candidato e diz:

- Vou fazer-lhe o teste final para a sua admissão.

- Perfeito! – diz o candidato.

O psicólogo pergunta:- Você está numa estrada escura e vê ao longe dois faróis emparelhados a virem na sua direcção. O que acha que é?

- Um carro. – diz o candidato.- Um carro é muito vago. Que tipo de carro? Um BMW, um Audi, um Volkswagen?

- Não dá para saber, não é?- Hum... – diz o psicólogo, que continua – Vou fazer-lhe outra pergunta: Você está na mesma estrada escura e vê só um farol a vir na sua direcção. O que é?

- Uma mota – diz o candidato.- Sim, mas que tipo de mota? Uma Yamaha, uma Honda, uma Suzuki?

- Sei lá, numa estrada escura, não dá para saber… (já meio nervoso)

- Hum..., diz o psicólogo. Aqui vai a última pergunta:

- Na mesma estrada escura você vê novamente um só farol, menor que o anterior, e você apercebe-se que vem mais lento. O que é?

- Uma bicicleta.

- Sim, mas que tipo de bicicleta? BTT, estrada, passeio…?
- Não sei.

- Lamento, mas reprovou no teste! – diz o psicólogo.

Então o candidato dirige-se ao psicólogo e diz:

- Interessante este teste. Posso fazer-lhe uma pergunta também?

- Claro que pode.

- Você está à noite numa rua iluminada. Vê uma mulher com maquilhagem carregada, vestidinho vermelho bem curto, a girar uma bolsinha… o que é?

- Ah! - diz o psicólogo - é uma puta.

- Sim, mas que puta? A sua irmã? A sua mulher? Ou a puta que o pariu?






Recebida por e-mail.

Estou cá com uma pena de ti...

Isaltino Morais abandonou esta manhã o tribunal de Sintra a meio a sessão do julgamento no qual é acusado de crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais, abuso de poder e fraude fiscal. O presidente da Câmara de Oeiras explicou aos jornalistas que se ausentou da sessão por discordar do teor das alegações do procurador do Ministério Público, Luis Elói. (...)
Notícia integral aqui.
Este país é uma anedota. O Sr. Juíz devia ter obrigado esta ave a ouvir as alegações até ao fim e bem comportadinho! Queres ver que se houver condenação o homem vai amuar, fazer uma birra e dizer de beiço esticado que não quer cumpri-la?! Choça com ele!

9 de julho de 2009

Estás mesmo a pedi-las Ção!


Nota: ainda procurei uma fotografia da Sónia Sanfona nua, mas pelos vistos o computador lá de casa ainda não avariou...

Direitos, liberdades e garantias de participação política.

"Artigo 50º. Direito de acesso a cargos públicos.
1. Todos os cidadãos têm o direito de acesso, em condições de igualdade e liberdade, aos cargos públicos.
2. Ninguém pode ser prejudicado na sua colocação, no seu emprego, na sua carreira profissional ou nos benefícios sociais a que tenha direito, em virtude do exercício de direitos políticos ou do desempenho de cargos públicos.
3. No acesso a cargos electivos a lei só pode estabelecer as inelegibilidades necessárias para garantir a liberdade de escolha dos eleitores e a isenção e independência do exercício dos respectivos cargos."



Ui, tantos direitos, liberdade e igualdade. Será mesmo assim?



O inquérito do ISCSP (Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, inserido na Universidade Técnica de Lisboa) diz que as mulheres são usadas nas listas por mera estratégia eleitoralista. O protagonismo das mulheres na vida política portuguesa é muito inferior ao alcançado noutros contextos, como o mercado de trabalho, o ensino ou a família. Isto deve-se à dominação masculina que se verifica nos partidos políticos e nas práticas discriminatórias que dificultam o acesso das mulheres ao topo das hierarquias partidárias e, em consequência, ao Parlamento e ao Governo. Estas são as principais conclusões do estudo "O modo de funcionamento dos partidos e o seu reflexo na participação das mulheres na vida partidária", elaborado por uma equipa do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) formada por Manuel Meirinho Martins, o coordenador, Maria da Conceição Teixeira e Jorge de Sá (...) Segundo os dados recolhidos e um inquérito promovido no âmbito do estudo, os investigadores concluem que partidos promovem e mantêm uma "democracia excludente". Ou seja "Sendo maioritariamente dominados por homens, ou excluem e discriminam as mulheres no acesso aos órgãos directivos internos e aos cargos públicos electivos, ou incluem-nas nas listas de candidatura como mera estratégia eleitoralista, reduzindo assim a participação política das mulheres ao apelo ao voto junto do eleitorado feminino". (...) No que respeita aos órgãos partidários isso também é visível no CDS, por exemplo, em que as mulheres são 41% dos militantes, a sua presença no órgão executivo nacional não ultrapassa os 6%. O PSD e o PS - cujas percentagens de militantes femininos são de 37% e 33% - apresentam taxas de feminização das sua direcções de 16,7% e 16,3%, respectivamente. Um pouco pior está o PCP, onde, com 29% dos militantes, as mulheres alcançam apenas 6,2% da direcção. O Bloco de Esquerda, com os seus 50%, é a única força que inclui nos estatutos o princípio da paridade entre sexos nas listas de candidatura aos órgãos nacionais. (...) Foi Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, a colocar a discussão noutro nível. "Não acho essencial discutir se as mulheres fazem política de forma diferente", disse a deputada. "A questão fundamental é que a humanidade é composta por dois sexos portanto, a questão é de democracia, de direitos humanos se neles incluirmos a participação cívica". E realçou a "invisibilidade" a que muitas mulheres que se envolvem na política estão ainda hoje votadas. (...)



A administração pública central tem um rosto feminino: quase 60 por cento dos mais de 494 mil funcionários dependentes dos diferentes ministérios são mulheres. No entanto, elas estão claramente sub-representadas nos escalões de remuneração mais elevados e nas funções de topo — ocupam não mais de 32 por cento dos cargos de director-geral ou equiparado, revela um estudo do Instituto Nacional da Administração. Se nos dois escalões remuneratórios mais baixos (1200 a 1600 euros) o peso dos homens é um pouco superior ao das mulheres, no intervalo dos 3400 aos 5200 euros de salário há uma "quase paridade". A situação só se inverte no topo. As mulheres representam apenas 34,5 por cento dos trabalhadores com um ordenado ilíquido superior a 5200 euros, que é o que ganha, por exemplo, um director-geral, explica a coordenadora do estudo, Helena Rato. O domínio dos homens no topo da hierarquia salarial é "particularmente evidente" nos ministérios da Defesa, Turismo, Ambiente e Segurança Social, onde, de acordo com os dados de 2004 da Caixa Geral de Aposentações, simplesmente não há mulheres com salários ilíquidos superiores àquela fasquia. O estudo "A igualdade de género na administração pública central portuguesa", o primeiro sobre igualdade de género no sector, fala de uma "dupla assimetria": há um défice global de presença masculina e uma "clara sub-representação de mulheres" no topo. (...)



Quanto a não ser prejudicado em função do exercício de direitos políticos ou do desempenho de cargos públicos, experimentem fazê-lo na Administração Pública sob a tutela do S.I.A.D.A.P.. Até andam de lado! É vê-los em rodopios patéticos na tentativa desesperada de agradar ao chefe que vai decidir, muitas das vezes com objectivos plenamente abertos à discricionariedade, a nota que lhes vai permitir, ou não, progredir na carreira... À parte a questão da paridade, ou não, entre homens e mulheres nos cargos públicos, temos outra mais premente que se prende com o recrutamento para esses mesmos cargos públicos. Esse recrutamento é feito dentro dos partidos políticos, ou melhor, dentro do P.S. e do P.S.D., não se pautando por procurar pessoas com mérito firmado nas diversas áreas de actividade dentro da sociedade, antes promovendo aqueles que têm cartão do partido e que saibam muito bem o que são coisas como a disciplina de voto. Não há conceito mais imbecil numa democracia do que este, em que a opinião de um deputado por exemplo, é submergida pelos interesses do aparelho partidário ou algo parecido. É no fundo a negação pura da sua própria função como elemento eleito por determinada região para assegurar a defesa dos seus interesses particulares e específicos. Com base neste pressuposto, a que se junta a crescente falta de qualidade humana, intelectual e ética das gentes que militam nos partidos políticos, como é que se garante a igualdade de acesso a cargos públicos? Com gajas boas!!!