16 de outubro de 2008

O que se pode fazer com 700 mil milhões de dólares?!


Muitas pessoas ficam confusas ao verem números com mais de seis zeros. Pudera! A dádiva proposta pelo governo Bush/Paulson e aprovada pelo Congresso dos E.U.A. para evitar bancarrotas em série, tão grandes como a do banco Lehman Brothers, tem 11 zeros. Este montante, para além de salvar banqueiros insolventes e especuladores, poderia ser utilizado em muitas outras coisas mais prementes. A revista Spiegel Online elaborou uma lista de possibilidades. Eis algumas delas:

1-Pagar o salário médio anual a 22 milhões de pessoas nos Estados Unidos. De acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA, o pagamento médio por uma semana de trabalho foi de 612 dólares em Agosto último. Medida social logo, não interessa.

2-Estabelecer nos E.U.A. uma cobertura de saúde universal, um objectivo que até agora foi constantemente evitado pelos políticos. O governo poderia financiar até seis anos de seguro de saúde para cada um e todos os ciadadãos dos Estados Unidos. Medida social logo, não interessa. Só tem direito à saúde com alguma qualidade quem tem dinheiro para isso. Os outros que se fodam!

3-Comprar um sistema de comunicações uniforme para todos os serviços de emergência médica dos E.U.A., que é urgentemente necessário, mais de 47 vezes. Estimativas estabelecem o preço de um tal sistema em torno dos 15 mil milhões de dólares. Medida social logo, não interessa.

4-Construir diques de defesa contra as cheias em torno de Nova Orleães. O projecto poderia na realidade ser pago mais de uma centena de vezes (100!). Desde o Furacão Katrina, o governo gastou cerca de 7 mil milhões de dólares em tais esforços. São quase todos pretos logo, não interessa.

5-Comprar a Dinamarca, sim o país, duas vezes ou Portugal três vezes. Este está mesmo à venda... O PIB português de 2007 foi de 162.756,1 milhões de euros, o que equivale a 233.805 milhões de dólares à cotação actual. 700 mil milhões de dólares é suficiente para financiar as economias de países inteiros. A soma considerada pelo Congresso é mais do que o dobro do produto interno da Dinamarca, o qual em 2007 foi cerca de 312 mil milhões de dólares.

6-Financiar todo o orçamento nacional da Alemanha durante mais de um ano. Projecções estabelecem o orçamento nacional da Alemanha para 2009 em 288 mil milhões de euros, os quais, às actuais taxas de câmbio, resultam em cerca de 420 mil milhões de dólares. Com aquela soma de dinheiro seria possível financiar o país durante 1,6 anos.

7-Combater a fome e a pobreza em África durante 10 anos (uma década!), aplicado em programas da O.N.U.. De acordo com o secretário-geral da O.N.U., Ban Ki-Moon, o continente precisa de 72 mil milhões de dólares por ano para ajuda ao desenvolvimento.

8-Financiar todas as operações de "inteligência" dos E.U.A. (ao todo 16 agências) durante 15 anos. Actualmente o custo anual somado das mesmas, incluindo 100 mil empregados, sistemas de comunicações, equipamento de reconhecimento e armas totaliza cerca de 44 mil milhões de dólares.

9-Lançar múltiplos "New Deals". Franklin Dellano Roosevelt ficaria verde de inveja. O seu "New Deal" da década de 1930 para combater o "crash" bolsista e a fome que assolou os Estados Unidos, inigualável até agora como programa de crescimento, poderia ser financiado muitas vezes mais. Segundo o Wall Street Journal, os investimento de infraestrutura do programa custariam cerca de 250 mil milhões em dólares de hoje. Estes investimentos ajudaram a construir ou renovar 8 mil parques, 40 mil edifícios públicos e 71 mil escolas. Medida social logo, não interessa.

10-Salvar a Terra (a Terra senhores, o nosso planeta, ao invés de bancos gananciosos). Esta é pelo menos a opinião de M. A. Sanjayan, cientista principal do grupo de protecção ambiental "The Nature Conservancy". Embora os dados dos institutos de investigação variem consideravelmente quanto à quantia precisa que seria necessária para pôr o ambiente de novo numa base saudável e sustentável, todos concordam em que 700 mil milhões de dólares dava para um longo caminho nesse sentido.

11-Permanecer no Afeganistão e no Iraque por mais sete anos (chiça penico!). Os números de Washington mostram quão absurdamente caras podem ser as guerras. Desde a invasão do Iraque, os E.U.A. gastaram aproximadamente 648 mil milhões de dólares na guerra, o que foi aguentando uma economia baseada precisamente na guerra e sua logística. A níveis actuais de despesa, 700 mil milhões de dólares seriam suficientes para travar as guerra no Iraque e no Afeganistão durante mais sete anos. Definitivamente não interessa!

12-Voar para a Lua (a sério...) em quatro missões diferentes de vôos tripulados. O programa Apolo da N.AS.A. durante a década de 1960 (o tal que ainda hoje não temos a certeza de ter sido a sério...), custou cerca de 164 mil milhões em dólares de hoje. O dinheiro também poderia comprar sete estações internacionais no espaço.

Os números estão à vista e só não vê quem não quer, indo o meu destaque directamente para a hipótese nº 7. Não dês o peixe, ensina a pescar.
É ou não pornográfico aquilo que se passa na Aldeia Global? Hardcore 1º escalão!

Texto adaptado daqui.

15 de outubro de 2008

Natural rhythm.




Mais um excelente vídeo de Coldcut, álbum "Let us play", que anuncia com a sua semente voadora a chegada para breve de sangue novo a este blog. Stay tunned!

14 de outubro de 2008

Arquitectura em Portugal.

Recebi este hilariante texto por e-mail. É uma excelente caricatura à situação corrente do sector da construção civil em Portugal e, ao mesmo tempo, um alerta informativo para ponderarmos sobre as nossas próprias opções. Pesquisei na net e descobri que foi escrito por Rui Campos Matos (arquitecto), ficando aqui todos os créditos para o autor. Infelizmente, a arquitectura em Portugal é um pouco como o futebol, toda a gente manda bocas ainda que não perceba patavina do assunto. O gosto não se discute, rematam habitualmente com o nariz empinado. Pois não, mas educa-se!



Casa Armanda Passos, Porto, Álvaro Siza Vieira

Como construir a sua moradia sem ter que aturar um arquitecto:
Quantas pessoas, quando chega o momento de construir a moradia com que sempre sonharam, não passam pela aflição de perguntar a si próprias: será que vou ter de aturar um arquitecto?
Neste pequeno artigo, tentarei explicar como construir uma nova casa, sem se sujeitar às exigências de um desses profissionais. Para que o empreendimento seja levado a cabo com êxito há que fazer três importantes escolhas: estilo, técnico e empreiteiro.


O estilo.
Eis-nos perante a primeira decisão a tomar - o estilo da casa. Felizmente não é difícil porque existem apenas dois: o tradicional (também conhecido por rústico) e o moderno, que vem colhendo cada vez mais adeptos entre os jovens.
O tradicional caracteriza-se pelo típico telhado de aba e canudo, a janela de alumínio aos quadradinhos, a lareira de cantaria com a sua chaminé e o imprescindível barbecu, testemunho dos inumeráveis prazeres da vida rústica. Já o moderno é completamente diferente, tão diferente que até as coisas mudam de nome. O telhado desaparece, dando lugar à cobertura plana; a janela perde os quadradinhos e passa a chamar-se vão; à chaminé, em tubo de aço inoxidavel, chama-se fuga; e barbecu é um termo obsceno que deve ser evitado na presença das senhoras.
Não existem, pois, quaisquer espécie de dúvidas quanto a questões de estilo - ou se é tradicional ou se é moderno, as duas coisas ao mesmo tempo é impossível.
O técnico.
Escolhido o estilo, há que escolher o alfaiate, que aqui designaremos pelo técnico. Trata-se de uma escolha muito fácil, porque o que não falta são técnicos. Intitulem-se eles construtores civis diplomados, agentes técnicos de engenharia, electricistas habilitados ou desenhadores habilidosos, todos se regem pela mesma cartilha, a de João de Deus: o pinto pia, a pipa pinga… Não passaram cinco anos a estudar arquitectura? Não estagiaram mais dois? Que importa isso? Concentremo-nos apenas nas suas virtudes:

1- Projecto elaborado em tempo recorde.
2- Preço: 999 €!

Mas como conseguem eles ser tão eficazes? É simples: antes de encomendado, o projecto já está feito. Até parece milagre! Mas não é, o que se passa é o seguinte: o técnico tem duas pastas no computador, uma para projectos em estilo tradicional, outra para os modernos. Escolhido o estilo pelo cliente, é fácil, emenda daqui, remenda de acolá e, numa tarde, o projecto está feito! Para quê complicar?
"Mas o rapaz parecia semi-analfabeto, disse que não podia assinar o projecto, mas que havia outro técnico que podia…". Não é caso para preocupações, trata-se de uma situação corrente em que um técnico analfabeto paga a um técnico habilitado para que este, a troco de uns trocos, assine de cruz. Está tudo incluído no pacote e, (ironia do destino!), quantas vezes o técnico habilitado não é um arquitecto daqueles que faltaram às aulas de religião e moral…
Aprovado o projecto, o técnico já não é preciso para nada. É dizer-lhe adeus que ele até agradece, porque de obra não percebe nada nem quer perceber, quem percebe disso é o empreiteiro – a nossa terceira e última escolha.

O empreiteiro.
O primeiro encontro entre cliente e empreiteiro costuma ser decisivo. É nele que terá de se estabelecer, entre o primeiro e o segundo, uma relação de confiança cega, em tudo semelhante à fé. A fé de quem acredita que, com um projecto feito por um técnico, que não especifica nada, que não pormenoriza nada e que não quantifica nada, não vai ser enganado por um homem que passa o dia a fazer contas de cabeça… Entre cinco pequenos empreiteiros, como escolher o indicado para construir a moradia? Infelizmente, chegados a este ponto, não posso recomendar senão fé, muita fé e confiança, porque tudo o resto é irrelevante:

1- O valor do orçamento é irrelevante, foi feito com base no projecto do tal técnico, é um número atirado para o ar, um número que, com os imprevistos, há-de subir ainda umas quantas vezes.
2- O prazo estabelecido para concluir a obra vai depender do bom ou mau tempo e, nesse capítulo, só Deus sabe.
3- As garantias dadas são as que estão na lei - cinco anos. Se a casa apresentar defeitos, reclame; se a reclamação não for atendida, recorra ao Tribunal (também pode recorrer ao Pai Natal se achar que demora menos tempo…)
Em suma, não vale a pena perder tempo com ninharias, o mais importante é ter fé.

Conclusão.
Se, apesar de conscienciosamente feitas estas três escolhas, as coisas não correrem lá muito bem, se a casa ficar pelo dobro do preço, se no Verão se assar lá dentro e no Inverno se tiritar de frio, se para abrir a porta do armário for preciso arrastar a mesa de cabeceira, se o vizinho protestar com o barbecu, se a cobertura plana meter água, não vale a pena desesperar, resta sempre a consolação de não ter tido de aturar um arquitecto.
Não deixem de visitar o site do Fernando Guerra (arquitecto e fotógrafo) para verem belíssimas fotografias da magnífica arquitectura que ainda se vai conseguindo fazer em Portugal.

10 de outubro de 2008

Estás mesmo a pedi-las Ção!


Ainda não acabei!


Não. Esta questão da zona económica exclusiva tem de ser esclarecida como deve ser.

Se por um lado Portugal parece não ter razão na questão do estatuto das Ilhas Selvagens, ou pelo menos mantém uma atitude no mínimo a roçar o ridículo, por outro e como já se viu, o mesmo não acontece relativamente a Olivença. Mas na questão da zona económica exclusiva voltamos a ser espoliados daquilo que nos pertence, resultado de imposição da União Europeia.

O Tratado de Lisboa, que tem sido alvo de fortes críticas em toda a Europa, foi em Portugal ratificado pelo Parlamento, de resto à semelhança de todos os estados membros da União Europeia, excepto a Irlanda. Este exercício de ratificação sem consulta ao povo português, já de si constitui um acto de desprezo pela Democracia por parte do Governo da República, mas o insulto vem juntar-se à injúria anti-democrática do Governo de Sócrates, porque segundo este desastroso tratado, Portugal perde a sua oberania sobre os recursos marinhos da zona económica exclusiva Portuguesa no Oceano Atlântico, passando esta para a jurisdição exclusiva da União Europeia.Trata-se de uma traição contra os interesses estratégicos mais importantes de Portugal, pela mão do Governo presidido pelo Primeiro-Ministro José Sócrates e de um Parlamento aparentemente apático, sem que tenha havido a menor intenção de ninguém para fazer valer o mais essencial direito dos portugueses, o de se pronunciarem sobre questões que afectam gravemente a Soberania Portuguesa.

A Comissão Europeia, antecipando a ratificação do agora denominado tratado “de Lisboa", começa a tomar iniciativas que vão ao encontro dos objectivos políticos nele consagrados. Proposta de tratado que, recuperando o previsto na rejeitada "constituição europeia", alarga os domínios de competência exclusiva da "União”, onde se inclui, a "conservação dos recursos biológicos do mar, no âmbito da política comum de pescas". A atribuição de tal competência exclusiva às instituições da U.E. representaria uma violação da Constituição da República Portuguesa.
A competência exclusiva da U.E. neste âmbito e a intenção expressa da Comissão Europeia de introduzir um sistema de gestão baseado no comércio dos direitos da pesca, é uma questão da maior importância, que atinge o cerne da soberania dos Estados e da gestão e propriedade da exploração de um recurso natural que é de todos, isto é: a cedência a interesses privados dos direitos de acesso à exploração de um bem público, contra a soberania nacional, o sector das pescas, a pequena pesca costeira e artesanal, os pescadores e as comunidades piscatórias em Portugal.

Esta é que é a verdade, bem reveladora das relações de força existentes no seio da U.E. e das posições de quem nos desgoverna, ou seja, o clássico uuuuu BDCM OOOOO... Encontrei os textos já feitos, adaptei-os e subscrevo-os na íntegra.

9 de outubro de 2008

As marcas ainda existentes.

Estão a ver aquela luz?


E estas cinco quinas?

São portuguesas, não são?

Pois são!

Mas as fotografias foram tiradas em Olivença!

Princípios fundamentais da Constituição.

"Artigo 5.º (Território).
1. Portugal abrange o território historicamente definido no continente europeu e os arquipélagos dos Açores e da Madeira.
2. A lei define a extensão e o limite das águas territoriais, a zona económica exclusiva e os direitos de Portugal aos fundos marinhos contíguos.
3. O Estado não aliena qualquer parte do território português ou dos direitos de soberania que sobre ele exerce, sem prejuízo da rectificação de fronteiras."


O território historicamente definido no continente europeu... E isso inclui Olivença? Talvez sim, talvez não ou antes pelo contrário? A posição dos sucessivos governos de Portugal tem sido vergonhosa e reveladora dos compromissos e dependências económicas perante Espanha que, aproveitando esse laxismo e falta de iniciativa, tem mantido aquele território. O Governo português, José Sócrates enquanto Primeiro-Ministro, Cavaco Silva enquanto Presidente da República e Jaime Gama enquanto Presidente da Assembleia da República, têm o dever constitucional de lutar pela devolução a Portugal de Olivença, Vila que está em poder de Espanha desde 1801, ilegalmente e em clara violação do Direito Internacional. Mas ao que assistimos é que o Governo Português se rebaixa ao Governo Espanhol e não tem a coragem (los cojones!) necessária para exigir de Espanha a devolução de Olivença, ocupando assim 750 km2 do território de Portugal. Na figura abaixo encontra-se a delimitação da área referida em amarelo-torrado.


Para enquadramento histórico desta questão, que nos querem vender como já não fazendo sentido (los cojones coño, los cojones!), apresento de seguida alguns factos:
1166-A Vila de Olivença é conquistada pelos portugueses aos mouros.
1297-Tratado de Alcanizes, celebrado entre D. Dinis e D. Fernando IV de Castela. Olivença integra-se definitivamente no território português.
1298-Foral de Olivença atribuído pelo rei D. Dinis. Construção de novas muralhas.
1488-D. João II manda construir a Torre de Menagem de Olivença.
1510-Foral Manuelino de Olivença. Novas obras de fortificação. Construção da Ponte de Olivença ou Ponte de N.ª Sr.ª da Ajuda, ligando Elvas àquela localidade. Iniciada a construção da Igreja da Madalena, sede do bispado de Ceuta, durante o reinado de D. Manuel I.
1580-União Dinástica entre Portugal e Espanha.
1640-Restauração da Independência Portuguesa.
1668-Tratado de Paz entre a Espanha e Portugal, pondo fim às Guerras da Restauração. Portugal mantém as suas fronteiras definidas pelo Tratado de Alcanizes.
1709-Guerra de Sucessão de Espanha. A Ponte de Olivença é destruída por forças espanholas. 29 de Janeiro: Espanha e França assinam um tratado de invasão de Portugal para obrigar o nosso país a abandonar a Aliança Luso-Britânica e fechar os seus portos à navegação da Grã-Bretanha. 27 de Fevereiro: Espanha declara guerra a Portugal. 20 de Maio: As tropas espanholas violam a fronteira do Alentejo, ocupando Olivença, Juromenha e, alguns dias depois, Campo Maior. 6 de Junho: Tratado de Paz de Badajoz celebrado entre Portugal, por uma parte, e Espanha e França pela outra parte. Por este tratado, assinado perante a ameaça de invasão das tropas francesas estacionadas em Ciudad Rodrigo, Portugal: cedia Olivença a Espanha; fechava os portos aos navios britânicos; pagava à França uma indemnização de 15 milhões de libras tornesas; e aceitava as fronteiras da Guiana até à foz do Rio Arawani. O Tratado de Badajoz, não obstante, estipulava que a violação de qualquer dos seus artigos conduziria à sua anulação, o que veio a suceder com os acontecimentos de 1807.
1807-27 de Outubro: Tratado de Fontainbleau, assinado entre a Espanha e a França, pelo qual se previa a ocupação de Portugal e a sua divisão em três partes: a Província de Entre Douro-e-Minho para o Rei da Etrúria, o Principado dos Algarves para o ministro espanhol D. Manuel Godoy, sendo as restantes províncias e territórios ultramarinos repartidos por um acordo futuro. Novembro: Início da ocupação de Portugal pelas forças Espanholas e Francesas. Família Real Portuguesa transfere o governo para o Brasil. Assinando o Tratado de Fontainbleau e invadindo Portugal, a Espanha provoca a anulação do Tratado de Paz de Badajoz, perdendo os direitos que poderia ter adquirido sobre Olivença.
1808-O Príncipe Regente D. João publica, no Rio de Janeiro, um manifesto em que é repudiado o Tratado de Badajoz, anulado pela invasão de 1807.
1809-Pedido oficial de reentrega do Território de Olivença de Portugal à Junta Central, em Sevilha.
1810-19 de Fevereiro: Tratado de aliança e amizade Luso-Britânico. A Grã-Bretanha compromete-se a auxiliar Portugal a recuperar Olivença, recebendo em troca a exploração, por 50 anos, dos estabelecimentos de Bissau e Cacheu. Portugal negoceia a restituição de Olivença com o Conselho da Regência de Espanha.
1811-15 de Abril: Forças portuguesas ocupam militarmente Olivença. O Marechal Beresford, oficial britânico e general em chefe do exército português, mandou reentregar Olivença às autoridades espanholas, provavelmente para a Grã-Bretanha não perder as vantagens que retiraria do tratado luso-britânico de 1810.
1814-O Tratado de Paris, pelo artigo 3.º dos adicionais, declara nulos e de nenhum valor os Tratados de Badajoz e de Madrid de 1801.
1815-Pela Acta Final do Congresso de Viena, através do seu artigo 105.º, são reconhecidos os direitos portugueses ao Território de Olivença.
1817-A Espanha assina o Tratado de Viena, «reconhecendo a justiça das reclamações formuladas por Sua Alteza Real, o Príncipe Regente de Portugal e do Brasil, sobre a vila de Olivença e os outros territórios cedidos à Espanha pelo Tratado de Badajoz de 1801» e comprometendo-se a efectuar «os seus mais eficazes esforços a fim de que se efectue a retrocessão dos ditos territórios a favor de Portugal» o que deveria «ter lugar o mais brevemente possível.»
1818-Litígio territorial entre Portugal e Espanha na América do Sul. Redigida proposta de tratado pelo qual a Espanha aceitava a devolução de Olivença.
1840-A Língua Portuguesa é proibida no Território de Olivença, incluindo nas igrejas.
1858-Título de Cidade concedido a Olivença por Isabel II de Espanha.
1864-Assinado um convénio entre Portugal e Espanha, demarcando a fronteira desde a foz do Rio Minho até à confluência do Caia com o Guadiana, não se prosseguindo a definição dos limites territoriais por causa da Questão de Olivença.
1903-O Rei D. Carlos solicita ao monarca espanhol que seja feita justiça no Litígio de Olivença.
1918/19-Fim da 1.ª Grande Guerra. O Governo Português estuda a possibilidade de levar a Questão de Olivença à Conferência de Paz, o que não foi possível uma vez que a Espanha não participara no conflito mundial.
1926-Celebrado um acordo entre Portugal e Espanha para a demarcação da fronteira desde a foz do Rio Cuncos até à foz do Guadiana. Ficou por demarcar, até hoje, a fronteira entre Portugal e Espanha, desde a foz do Rio Caia até à foz do Rio Cuncos, devido ao Problema de Olivença.
1936/39-Guerra Civil Espanhola. O Regimento de Caçadores 8, estacionado em Elvas, esteve pronto para tomar Olivença, sendo impedido pelos superiores hierárquicos. Um grupo de legionários portugueses teve o mesmo propósito.
1944/45-Criação em Lisboa do Grupo dos Amigos de Olivença (GAO).
1952-Na Comissão Internacional de Limites, Portugal reclama a posse do Território de Olivença.
1965-O General Humberto Delgado (presidente da Assembleia Geral do GAO) é assassinado junto à Ribeira de Olivença, pensando-se que o seu corpo tenha passado na povoação de Olivença a caminho de Vilanueva del Fresno, onde foi abandonado.
1968-Assinado um convénio entre Portugal e Espanha, garantindo a posse das duas margens do Guadiana para o nosso país, desde a confluência do Caia até Mourão, mantendo Portugal as suas reivindicações sobre o Território de Olivença.
1974-Um jurisconsulto espanhol da Comissão Internacional de Limites reconheceu os direitos que Portugal possui para reclamar Olivença.

Olivença é Portuguesa, à luz do Direito Internacional e da História!

7 de outubro de 2008

Music is my aeroplane.

Eu sei que tinha dito que os ficheiros eram pesados, etc e tal, mas não resisti e acabei por introduzir mesmo uma aplicação de música. Que cinzenta seria a vida sem ela! Espero sinceramente que gostem da selecção, embora se trate apenas da primeira que irei disponibilizar. Se não gostarem, podem sempre escolher outra lista na aplicação. Fixe, não? Enjoy!

6 de outubro de 2008

Boas notícias!

Que nem tudo sejam más notícias é o mínimo que se pode pedir nos dias que correm. E do Portugal Profundo chega-nos uma bela novidade com a desistência da queixa e do pedido de indemnização cível por parte de Paulo Pedroso, relativamente ao autor daquele blog. Os meus parabéns ao António Balbino Caldeira e longa vida para o seu blog.

Dólar, o todo-poderoso...



Quem diria que o sistema capitalista, na sua demanda desenfreada pelo lucro, iria acabar na autofagia? Muita gente, de facto, mas sempre prontamente desacreditada pelos capachos de serviço, a quem pomposamente chamam de "opinion makers". Agora é o que se vê, com proposta de planos milagrosos que são a mais pura negação das leis do mercado e do neo-liberalismo. Desconfio que muito em breve, a moeda forte dos mercados internacionais será o iéne...

3 de outubro de 2008

Cão raivoso!

Mais vale ser um cão raivoso
do que um carneiro
a dizer que sim ao pastor o dia inteiro
e a dar-lhe da lã e da carne e da vida
e do traseiro
mais vale ser diferente do carneiro
um cão raivoso que sabe onde ferra
olhos atentos e patas na terra
Viva o cão raivoso
tem o pelo eriçado
seu dente é guloso
e o seu faro ajustado
Cão raivoso, cão raivoso, cuidado
Mais vale ser um cão raivoso
que um caranguejo
que avança e recua e depois
solta um bocejo
e que quando fala só quer ser como
o caranguejo
um cão raivoso que sabe onde ferra
olhos atentos e patas na terra
Viva o cão raivoso
tem o pelo eriçado
seu dente é guloso
e o seu faro ajustado
Cão raivoso, cão raivoso, cuidado
Mais vale ser um cão raivoso
que uma sardinha
metida, entalada na lata
Educadinha
pronta a ser comida, engolida, digerida
E cagadinha
Mais vale ser diferente da sardinha
um cão raivoso que sabe onde ferra
ferra fascistas e chama-lhe um figo
olhos atentos patas na terra
Viva o cão raivoso
tem o pelo eriçado
seu dente é guloso
e o seu faro ajustado
Cão raivoso, cão raivoso, cuidado
Mais vale ser um cão raivoso
dentes à mostra
e estar sempre pronto a morder
e a dar resposta
a toda e qualquer podridão escondida
dentro da crosta
dentro da crosta das belas ideias
gato escondido de rabo de fora
dentro da crosta das belas ideias
gato escondido de rabo de fora, de fora, de fora


Cão raivoso, Sérgio Godinho, álbum "à queima-roupa"

Portugal actual.

Muito bom!

Contrato de Professora em Espanha no ano de 1923...

clicar para aumentar
A coisa está um bocadinho melhor, as senhoras já se podem casar e frequentar geladarias, mas igualdade de oportunidades ainda não é para o século XXI...
Em Portugal em 1943, ou seja, 20 anos depois desta minuta de contrato, as senhoras professoras eram obrigadas a declarar que eram anti-comunistas e que apoiavam incondicionalmente a União Nacional, sob pena de não poderem leccionar. Foi o que aconteceu com a minha avó, melhor aluna do seu ano no Magistério Primário. O meu avô, republicano convicto, não permitiu que ela violasse a sua integridade moral assinando algo com que não concordava. Supremacia masculina na relação podem argumentar, mas saibam que ainda hoje ela se orgulha da sua atitude enquanto mulher que não estava disposta a pactuar com um regime fascista e sanguinário.
Hoje temos condicionamentos inaceitáveis e ataques voltuosos à dignidade da profissão de ensinar. Basta acompanhar as medidas da Sinistra Ministra.


2 de outubro de 2008

Porque emigram os portugueses?

Entre as razões que explicariam os contínuos fluxos emigratórios dos portugueses podemos destacar as seguintes:

1. Factor Geográfico. Portugal fica num extremo da Europa, entre a Espanha e o Mar. Os rasgados horizontes marítimos nas suas costas parecem ter estimulado nos portugueses o desejo de explorar o mundo, descobrir outras culturas. A Espanha, no lado oposto, lembra guerras, pilhagens, saques. A emigração na direcção do centro da Europa, é um fenómeno relativamente recente (segunda metade do século XX) e ocorre numa altura que os portugueses já estavam há séculos espalhados pelo mundo.

2. Miséria. Os portugueses emigram para fugirem à miséria e falta de trabalho que grassa nos campos e que as cidades não conseguem absorver. Nas regiões, como o Douro, Minho, as ilhas da Madeira e Açores, onde é mais notório o excesso de mão-de-obra a emigração surge como o recurso por excelência para resolver a falta de trabalho na agricultura e pescas. Analisando as descrições dos que emigraram entre meados do século XIX e os anos 70 do século XX, ninguém dúvida em subscrever que esta terá sido uma das razões que motivou a saída de alguns milhões de portugueses.

3. Tradição. A emigração é um tradição secular em Portugal. Na verdade, uma vez iniciada a emigração no século XV esta nunca mais parou. Um dos factores que estimulou a sua continuidade foi o facto de se terem criado em muitos pontos do mundo comunidades de portugueses que apoiaram os novos emigrantes estimulando-os a partir ou ajudando-os a fixarem-se no local. Por outro lado, em Portugal, numa qualquer família, há sempre um familiar ou amigo que emigrou e que pode prestar as informações necessárias para outro o fazer. Quando os problemas se avolumam no país, ou ocorre algum problema na vida, afirmam alguns analistas, o português não luta para os resolver, mas emigra. É mais fácil convencer um português a emigrar para a China, do que convencê-lo a mudar de residência para outra parte do país.

4. Fuga a perseguições religiosas e políticas. Entre princípios do séculos XVI e inícios do XX , tivemos ferozes perseguições religiosas a judeus e cristãos-novos portugueses. Muitos milhares foram forçados, para sobreviverem, a espalharem-se por todo o mundo. No século XX, as perseguições políticas que ocorreram entre 1926 e 1974, a que se juntou entre 1961-1974 a fuga de centenas de milhares de jovens ao serviço militar ajudaram a engrossar este caudal emigratório.

5. Missão Histórica. Um elaborado discurso ideológico desde o século XVI atribuí aos portugueses uma espécie de missão histórica: difundirem a cristandade pelo mundo (Luis de Camões, escreveu sobre este tema uma epopeia- Os Lusíadas). O Padre António Vieira retomou o tema com a ideia do Vº. Império. A emigração seria, neste aspecto, um instrumento deste desígnio nacional. No século XX, poetas como Fernando Pessoa, re-elaboraram esta explicação à luz dos valores contemporâneos, embora mantendo o seu esquema inicial.

6. Abertura de Horizontes. A situação geográfica de Portugal, num extremo da Europa, sempre provocou problemas de isolamento cultural. "As coisas chegam aqui com muito atraso", este é o lamento que se repetiu durante séculos e que explica a partida de muitos milhares de portugueses para o estrangeiro.



Texto de Carlos Fontes aqui.



Estamos esclarecidos? Agora, da próxima vez que ouvirem alguém atentar contra os imigrantes, façam o favor de lhe dizer que é uma vergonha nacional, ou então preguem-lhe uma boa lição de história...

Emigração. Vamos pôr os pontos nos is!

Portugal tem sido desde o século XV um país de emigrantes, facto que acabou por condicionar toda a sua história. Nos século XV e XVI a emigração dirigiu-se sobretudo para as costas do norte de África (Marrocos), ilhas atlânticas (Açores, Madeira, São Tomé, Cabo Verde, Canárias) e depois da descoberta do caminho marítimo para a Indía (1498) espalha-se pelo Oriente, mantendo-se muito activa até finais do século XVIII.
Em meados do século XVI aumenta a emigração para o Brasil, o qual acaba por se tornar no século XVII no principal destino dos portugueses, o que se manterá sem grandes oscilações até finais dos anos 50 do século XX.

Em finais do século XIX os portugueses começam a procurar activamente novos destinos alternativos ao Brasil, quer na Europa, quer no outro lado do Atlântico. Ao longo do século XX, fora da Europa, espalham-se pelos EUA, Argentina, Venezuela, Canadá, Austrália, etc. O fluxo emigratório para África aumenta, em especial para Angola, Moçambique e outras regiões da África Austral como a África do Sul, Zimbabwe ou o Congo.
A grande debandada do país, ocorre todavia a partir de finais dos anos 50, e dirige-se agora para a Europa: França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Suíça, etc. O impacto deste surto emigratório será tão forte que abala toda a sociedade portuguesa. Em menos de dez anos, imigram para a França, por exemplo, mais de um milhão portugueses.

Texto retirado daqui.


Contigo, na nossa terra
quisera eu bailar
contigo, eu trocara a jura
de a gente se amar
contigo, na nossa terra
quisera eu viver
mas vivo numa outra terra a trabalhar
e a ganhar
p’ra viver
e a viver
p’ra ganhar
Eu sei que na minha terra
há gente a lutar
quisera eu estar lá com eles
sem ter que emigrar
mas tanto atirei semente
sem ter de colher
que pedi um passaporte
para emigrar
e ganhar
p’ra viver
e viver
p’ra ganhar
Eu fui lavar saudades ao Tejo
a aguinha doce deu-me logo um beijo
eu fui lavar saudades ao Douro
abraços desses valem mais do que ouro
Aqui em terra distante
vivo mal e bem
sinto saudades imensas
de quem me quer bem
tenho um salário melhor
não há que duvidar
mas era na minha terra
que eu devia estar
e ganhar
p’ra viver
e não ter
que emigrar
Haja um dia que vem vindo
quem dera que já
em que eu faça uma viagem
de cá para lá
e que o trabalho me renda
sem ter que emigrar
que eu viva na minha terra
a trabalhar
e ganhar
p’ra viver
e não ter
que emigrar
Eu fui lavar saudades ao Tejo...

Vivo numa outra terra, Sérgio Godinho, álbum "Campolide"