14 de Março de 2012

Paul Gilding no TED: A Terra está saturada.









Todos os caminhos nos levam ao Projeto Vénus. Pelo menos a algo muito parecido, uma economia baseada nos recursos e não no dinheiro que tudo, mas tudo, corrompe.

9 de Março de 2012

23 de Fevereiro de 2012

Estás mesmo a pedi-las Ção!



Organização económica.

"Artigo 80º. Princípios fundamentais.
A organização económico-social assenta nos seguintes princípios:
a) Subordinação do poder económico ao poder político democrático;
b) Coexistência do sector público, do sector privado e do sector cooperativo e social de propriedade dos meios de produção;
c) Liberdade de iniciativa e de organização empresarial no âmbito de uma economia mista;
d) Propriedade pública dos recursos naturais e de meios de produção, de acordo com o interesse colectivo;
e) Planeamento democrático do desenvolvimento económico e social;
f) Protecção do sector cooperativo e social de propriedade dos meios de produção;
g) Participação das organizações representativas dos trabalhadores e das organizações representativas das actividades económicas na definição das principais medidas económicas e sociais."



Nossa, agora é que os políticos que vimos tendo desde o 25 de abril borraram a escrita toda! Subordinação do poder económico ao poder político democrático? Ah, ah, ah... Nada mais falso. Aliás, este é um dos grandes cancros da nossa democracia em particular. O que se passa é exatamente o oposto. Por isso temos na política pessoas com tão pouca qualidade (os sérios e justos afastaram-se para não terem de rebolar na lama), sempre disponíveis à subserviência ao poder económico, a fazer o jeito e a maior parte das vezes unicamente para proveito próprio. Vejam-se os casos dos políticos que, após beneficiarem descaradamente empresas privadas ingressam nos seus quadros...

Propriedade pública dos recursos naturais e de meios de produção, de acordo com o interesse colectivo? Na. Veja-se a privatização das águas, um recurso de primeira necessidade e inalienável. O interesse é meramente privado.

Planeamento democrático do desenvolvimento económico e social? Onde? No benefício por vezes irracional de empresas privadas à custa do dinheiro do Estado, que é o mesmo que dizer do dinheiro de todos nós? Só se for... Tenho de arranjar uma menina de perna bem aberta...

25 de Janeiro de 2012

E a falta de meios persiste... Porque será?

O departamento do Ministério Público, que tem a cargo a criminalidade económico-financeira e ainda os casos mais graves e complexos, trabalhou em 2010 em mais de 700 investigações mas só 20 resultaram na acusação dos arguidos, isto é 2,7%. Os dados, os últimos, constam do relatório anual da Procuradoria Geral da República (PGR) no capítulo do DCIAP - Departamento Central de Investigação e Acção Penal -, que tem em mãos as mais complexas investigações, nomeadamente dos crimes de corrupção.

Dos 726 inquéritos que o DCIAP movimentou em 2010, 205 foram dados como terminados e destes 20 resultaram numa acusação. Os restantes foram arquivados (58) ou suspensos, além de "outros motivos" que o relatório não especifica. Uma percentagem - menos de 3% - que fica abaixo da obtida em 2009, quando o DCIAP, em 715 investigações acusou 27 arguidos, o que equivale a 3,7%. Mas em declarações ao Diário Económico, a directora do departamento, Cândida Almeida, frisa que a esmagadora maioria das acusações são confirmadas pelo juiz e resultam numa condenação.

No relatório, Cândida Almeida queixa-se de falta de meios para cumprir em pleno a função para que o departamento foi criado em 1998: coordenação e direcção da investigação e da prevenção da criminalidade violenta, altamente organizada ou de especial complexidade. Destaca-se o combate ao chamado crime de ‘colarinho branco' e à corrupção, que tem sido apontado como uma prioridade de vários governos porque impede o saudável desenvolvimento da economia. Um argumento que ganha agora peso com a situação de crise económica do país. No que toca à natureza dos crimes investigados, o relatório refere as infracções económico-financeiras, ilícitos criminais levados a cabo por responsáveis de instituições bancárias, burla, fraude fiscal, branqueamento de capital, corrupção e crimes de associação criminosa.

Notícia aqui.


Já passou algum tempo sobre este alerta da Maria José Morgado e nada mudou... Quem tem poder para provocar essa mudança? Pois é, são os políticos...

5 de Janeiro de 2012

Direitos e deveres culturais.

"Artigo 79º. Cultura física e desporto.
1. Todos têm direito à cultura física e ao desporto.
2. Incumbe ao Estado, em colaboração com as escolas e as associações e colectividades desportivas, promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão da cultura física e do desporto, bem como prevenir a violência no desporto."


Alguém quer comentar?

29 de Dezembro de 2011

Falta de matérias-primas na indústria pode chegar em cinco anos. As "profecias" de Jacques Fresco começam a surgir...

Bomba-relógio. É este o nome sugestivo de um relatório da consultora norte-americana PricewaterhouseCoopers (PwC) que incidiu sobre algumas das maiores indústrias de transformação nas áreas dos produtos químicos, automóvel, energias convencionais e renováveis, aviação, metais, infra-estrutura e alta tecnologia.
O documento pretendia saber qual o impacto que uma escassez de matérias-primas terá, e onde, ao longo dos próximos cinco anos.
Dos vários setores, os líderes de negócios nas áreas automóvel, de produtos químicos e energia temem que serão os mais atingidos de acordo com o estudo "Falta de minerais e metais na indústria: uma bomba-relógio".
Para Malcolm Preston, diretor de sustentabilidade global na PwC, "Há muitas indústrias que só agora reconhecem que temos estado a viver acima dos meios do planeta. Novos modelos de negócio vão ser fundamentais para que se consiga responder aos riscos e oportunidades colocados pela escassez de metais e minerais".


Governo e empresas devem estar cientes da escassez
Hans Schoolderman, principal autor do estudo, acrescenta: "O crescimento da população mundial, o aumento dos níveis de riqueza e a mudança nos padrões de vida estão a elevar os níveis de consumo globais, criando uma procura cada vez maior de recursos", diz. "Eu penso que tanto os Governos como as empresas devem estar cientes da abrangência, da importância e da urgência da escassez de matérias-primas renováveis e não-renováveis: energia, água, terra e minerais", conclui.
Entre os minerais e metais na lista de "crítica" estão o berílio, o cobalto, tântalo, o flurospar e o lítio. O berílio é usado na aviação e projetos aerospaciais, bem como em armamento militar, enquanto o cobalto se usa por exemplo para baterias recarregáveis de automóveis e o tântalo ao nível dos telemóveis, computadores e eletrónica automóvel. O flurospar é usado na indústria de construção, no fabrico de vidro e cimento, bem como em estrututas de aço e o lítio é usado generalizadamente em baterias.


Instabilidade e interrupções já em 2016
Segundo o estudo, o risco de escassez em todos os setores deve aumentar significativamente, levando a instabilidade e a interrupções de fornecimento potencial nos próximos cinco anos, mas isso também vai criar oportunidades para a vantagem competitiva.
O relatório indica que 77% das indústrias consultadas admite que a escassez de metais e minerais é um tema importante para os seus negócios. A indústria automóvel é uma das que já está em nível de alerta - 80% dos inquiridos demonstrou inquietação face à falta de matérias-primas - ao passo que as empresas nos setores das energias renováveis e bens de consumo já estão a sentir alguma instabilidade no fornecimento de matérias-primas. Os setores que se seguirão, de acordo com o documento, são os da aviação, tecnologias de ponta e infraestruturas, que deverão sentir a falta no abastecimento de forma crescente até 2016.
Curiosamente, o estudo norte-americano reconhece que das empresas europeias, em regra, estarão mais bem preparadas com programas e políticas de minimização de riscos a este nível dos que nos EUA.
O estudo da PwC abrangeu 69 executivos de sete setores diferentes em três continentes, Ásia-Pacífico, Américas (Norte e Sul) e Europa. A maioria das empresas são protagonistas-chave no mundo, com faturação de mais de 10 biliões de dólares.


Notícia aqui.


E isto é apenas a ponta do iceberg... Não convem falar muito do assunto para não por em causa o ainda vigente modelo económico. Se fizerem o download do prospeto "Desenhando o Futuro", disponível aí do lado direito da página, e colocarem a palavra escassez na busca, vão perceber a consciência cientificamente comprovada que o autor tem sobre a escassez a todos os níveis e as soluções que aponta para a ultrapassar. Claro que o sistema financeiro mundial não quer ouvir falar dessas alternativas, muito porque significariam o seu fim. Não acham que está mais do que na hora de tomar consciência do que estamos a falar?

Herr Schmidt. Por Daniel Oliveira.

Não queira saber, prezado Schmidt, quanto pagou o seu Estado para manter as nossas terras improdutivas, as nossas fábricas fechadas e os nosso barcos de pesca atracados no porto. Produzimos pouco e importamos quase tudo o que consumimos. Na realidade, o nosso Estado gasta incomensuravelmente menos do que o seu. Os nossos direitos sociais são uma anedota. Os nossos salários são miseráveis. As nossas reformas mal dão para os medicamentos e para a comida. Mas, mesmo assim, estamos endividados. Porque foi essa a vontade dos principais países europeus: pagar para consumirmos o que o meu caro Schmidt produz. Disseram então que éramos o "bom aluno europeu". E, orgulhosos, ficámos com as autoestradas, que também foram pagas por si, e com os bancos, que nos emprestaram dinheiro para continuarmos a viver.
Depois entrámos no euro. Uma moeda feita para si, mas não para nós. Demasiado forte e sobre a qual nada poderíamos dizer. Com uma supermoeda para uma microeconomia, as exportações tornaram-se ainda mais difíceis e as importações mais tentadoras. Não referendámos nem Maastricht, nem o euro, nem o Tratado de Lisboa. Porque não discutimos a autoridade da União e o seu prestígio, não discutimos o diretório e a sua moral, não discutimos a glória do euro e o seu dever. Somos, como disse um representante vosso na troika, "um povo bom".
Quando os resultados da lição que tão bem aprendemos nos explodiu nas mãos, quando nos revelámos tão vulneráveis ao abalo financeiro internacional, explicaram-nos que andámos a viver acima das nossas possibilidades. Que não produzimos o suficiente para manter um Estado Social que, não saberá o senhor Schmidt, é uma amostra daquele a que o senhor tem direito.
Não quero que pense que o culpo a si. Era o que mais faltava. A culpa é nossa. Seria uma conversa longa, mas a nossa afamada simpatia esconde um enorme complexo de inferioridade. Para nós, "lá fora" é um lugar mítico. E estamos convencidos que qualquer burocrata de quinta linha que nos venha dar ordens sabe, melhor do que nós, o que devemos fazer. Seremos, mais uma vez, bons alunos. Destruiremos o poucos a que temos direito, venderemos a saldo as empresas públicas que restam, afundaremos por muitas décadas a nossa economia. E a celebração das exéquias estará a cargo de uma incompetente em quem o meu caro Schmidt poderá ter votado mas que eu nunca elegi para coisa alguma. Restará ao meu País a praia e o sol, que não podem ser deslocalizados. Como vamos passar a trabalhar quase de borla, aproveite para vir cá no verão. Verá que somos gente que não se mete em confusões. Sempre pronta a servir. De bandeja na mão, pano no braço e cabeça baixa.
Acontece que, ao criarmos o euro, fizemos uma jura de sangue. A tragédia começa a chegar às portas de Brandenburgo. E essa parte, tenho de lhe dizer, é culpa de quem o governa a si. Teremos sido, demasiadas vezes, bons alunos. Mas somos alunos de um péssimo professor. Que, como se verá em Bruxelas, nem perante todas as evidências desiste de velhos manuais que já deveria ter rasgado. A minha desgraça será a sua desgraça. Não o digo com satisfação. Digo-o com a leve esperança de que isso sirva para o meu amigo Schmidt despedir a reitora desta escola de maus costumes. E de que nós abandonemos esta degradante postura de aluno submisso. Podemos aprender todos um pouco com isto. O seu povo, alguma humildade. O meu, algum amor próprio.


Artigo aqui.

7 de Dezembro de 2011

Estudo da O.C.D.E. revela que Portugal está entre os países com maiores desigualdades.

Portugal continua a ser um dos países mais desiguais do mundo desenvolvido, com um fosso acentuado na distribuição dos rendimentos, e o mais desigual entre as economias europeias, revelou hoje a OCDE. De acordo com o estudo "Divided We Stand: Why Inequality Keeps Rising", da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o fosso entre ricos e pobres atingiu o nível mais elevado dos últimos 30 anos. De acordo com vários indicadores, Portugal continua a ser um dos países mais desiguais do mundo desenvolvido, em que os 20% mais ricos têm rendimentos seis vezes superiores (6,1) aos dos 20% mais pobres, revela a OCDE. Nos últimos 20 anos, o rendimento dos que menos ganham subiu em Portugal, em média, 3,6% ao ano, acima da subida de 1,1% registada nos rendimentos dos que mais têm. Em média, na OCDE, o fosso entre ricos e pobres é menos acentuado (5,5 vezes).


Maior fosso entre ricos e pobres

Ainda em relação a Portugal, o estudo demonstra que se trata de um dos países onde as transferências em dinheiro e em prestação de serviços públicos, como a educação e a saúde, revelam maior capacidade de atenuar o hiato entre os mais pobres e os mais ricos, com reduções superiores a 35%, dez pontos percentuais acima da média do resultado médio das políticas sociais na OCDE. Entre outras conclusões, o estudo destaca ainda que o rendimento de 10% da população mais rica é agora nove vezes mais alto do que o das pessoas colocadas entre os 10% mais pobres na generalidade dos países da região. De acordo com comparações tendo por base as variações no coeficiente de Gini (utilizado para medir a desigualdade de rendimentos), Israel, Estados Unidos e o Chile ainda são mais desiguais do que Portugal, que está ao nível do Reino Unido nos indicadores da desigualdade. Nos últimos anos, o fosso entre ricos e pobres também cresceu nos países tradicionalmente mais igualitários como a Suécia, Alemanha e a Dinamarca, realça a organização.


Notícia aqui.


Nada de novo... Foi só para a malta não se esquecer desta triste realidade, principalmente quando há tanto sapo de papo cheio a dizer-nos que devemos poupar...

O dinheiro à grande e à portuguesa. Vídeo de produção nacional.

16 de Novembro de 2011

Estupidificar o país para negar as evidências. Por Daniel Oliveira.

Já tenho a boca seca e os dedos gastos de dizer e escrever a mesma coisa: Portugal vai renegociar a sua divida. É só uma questão de tempo. E isso acontecerá em 2012 ou, o mais tardar, em 2013. Porque, nas atuais circunstâncias, esta dívida é impagável e a única coisa que os credores esperam é esmifrar o devedor até ele estar completamente seco. E preparam-se para o incumprimento, tal como fizeram com a Grécia. Não tenho nenhuma capacidade premonitória, apesar de, com mais algumas pessoas, incluindo alguns economistas marginalizados, sentir por vezes que ando a pregar no deserto. Apesar dos apelos para o fazer enquanto a nossa economia não entrou em colapso terem sido tantas vezes vistos como um apelo ao calote. Agora, a evidência entrou pelos olhos da opinião mainstream. E até já o primeiro-ministro o reconhece. E quando Passos Coelho compreende uma coisa, quer dizer que essa coisa pode ser entendida por toda a gente. E esta é uma das partes mais estranhas desta crise: a propaganda é de tal forma poderosa e o desnorte é de tal forma generalizado, que até aquilo que entra pelos olhos dentro de um leigo informado é tido como um absurdo até à vespera de se confirmar. E essa é uma das razões porque nos vamos enfiar num buraco sem fundo: negamos qualquer solução até ela deixar de o ser, por ser tarde de mais. Este processo de negação coletiva resulta, nuns casos, de cegueira, noutros de oportunismo. Oportunismo porque há quem queira aproveitar esta crise para, perante um ambiente de "estado de sitio", impor o seu programa ideológico: argumentando com uma suposta insustentabilidade do modelo social europeu, reduzir o papel social do Estado, privatizar quase tudo a preço de saldo e mudar as leis laborais. Vou então continuar a pregar no deserto: Portugal, se a Europa não arrepiar caminho (e não há qualquer sinal de que o fará), vai acabar por sair do euro. E se esse destino se confirmar, mais vale, antes de acabar o processo de destruição da nossa economia, preparar-se para isso. E sair a tempo de, no meio dessa tragédia social, económica e política (que é, apesar de tudo, reversível), tirar disso algum proveito. A única vantagem, no meio de tantas desvantagens, de sair do euro, é a de usar o instrumento da desvalorização monetária para competir em vez da desvalorização da economia. Mas de nada servirá se, quando chegarmos a esse ponto, já não houver nada para salvar. Nada do que aqui escrevo, sendo obviamente muito discutível, é escandaloso para quem, mesmo disscordando, esteja minimamente informado sobre o que se está a passar na Europa e em Portugal. Acontece que, mais do que uma suspensão da democracia e do contraditório, parece haver um acordo para a suspensão da inteligência. E quando é possível ouvir, da boca de uma pessoa com as responsabilidades de João Salgueiro, que basta olhar "para os carros que por aí andam" para perceber que os portugueses ainda não estão a fazer sacrifícios a sério, percebe-se até onde está a ir a poupança de neurónios. O debate político e económico não está a ser estupidificado por qualquer incapacidade congnitiva nacional. Manter a conversa ao nível do "taxista" (que me perdoe tão nobre classe profissional pela força de expressão) faz parte da lavagem aos cérebros a que estamos a assistir.


Artido aqui.

Estás mesmo a pedi-las Ção!