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18 de setembro de 2009

Este Preto é mesmo Negro!

A militante social democrata Irene Lopes, em declarações à revista Sábado, acusou dirigentes do PSD de comprarem votos a militantes em bairros sociais. O deputado António Preto é acusado de dar cobertura a estas práticas. Irene Lopes – militante desde o início dos anos 80 na secção H em Benfica - garante que viu pagar 25 a 30 euros, em dia de eleições para a distrital e para presidente do partido, nas secções H e Oriental, presididas por Rui Marques e Ismael Ferreira. A militante diz que António Preto tem nas diversas secções de voto “amigos ou pessoas em quem confia que lhe disponibilizam votos a nível distrital e até nacional”. Segundo Irene Lopes militantes inscrevem pessoas que “não têm nada a ver com o partido nem desejam ser militantes” em troca de empregos nas juntas de freguesia controladas pelo PSD. Ou seja, como diz a Sábado, a estratégia de angariação de inscritos no PSD passa pela contratação de avençados em juntas de freguesia que, para manterem os seus empregos, garantem a manutenção do poder ao presidente da sua secção conseguindo militantes que votam em quem lhe indicam. Quem recebe o emprego tem de inscrever os seus familiares como militantes do partido. “As quotas são pagas e ainda pagam um abonozinho, uma despesa de deslocação para quando vão votar nas secções” pedidas pelo partido, referiu Irene Lopes. “À porta da secção H e Oriental há umas caixinhas com dinheiro e pagam ali às pessoas. As pessoas acabavam de votar, diziam ‘já votei’ e davam-lhes umas notinhas” entre 25 e 30 euros, afirmou. Aponta os ex-amigos António Preto e Sérgio Lipari, da secção A, de Benfica, de serem coniventes com estes processos ao longo dos anos. E garante que teve 14 militantes fictícios inscritos com a sua morada. Várias fontes da Sábado que trabalharam de perto com António Preto confirmaram estes procedimentos. A Sábado salienta ainda que em termos estatísticos as principais secções do PSD na distrital de Lisboa duplicaram de militantes com quotas pagas entre 2002 e 2008, sendo que a secção E sextuplicou os filiados.

Notícia aqui.

Palavras para quê? São mafiosos à portuguesa... E é gente desta que Manuela Azeda o Leite defende para as suas listas. Pobre país, entregue a tal escumalha!

18 de agosto de 2009

Porra, o Preto é mesmo o Diabo!

Ao pedir a um cunhado médico que lhe engessasse o braço antes de uma prova judicial de caligrafia que o poderia incriminar, António Preto mostrou ter um nervo raro. Com este impressionante número, Preto definiu-se como homem e como político. Ao tentar impô-lo ao país como parlamentar da República, Manuela Ferreira Leite define-se como política e como cidadã. Mesmo numa época de grande ridículo e roubalheira, Preto distinguiu-se pelo arrojo e criatividade. Só pode ter sido por isso que Manuela Ferreira Leite não resistiu a incluir um derradeiro arguido na sua lista de favoritos para abrilhantar um elenco parlamentar que, agora sim, promete momentos de arrebatadora jovialidade em São Bento.
À tribunícia narrativa de costumes de Pacheco Pereira e à estonteante fleuma de João de Deus Pinheiro, vai juntar-se António Preto com o seu engenho e arte capazes de frustrar o mais justiceiro dos investigadores. Se alguma vez chegar a ser intimado a sentar-se no banco dos réus, já o estou a ver a ir ter com o seu habitual fornecedor de imobilizadores clínicos para o convencer a fazer-lhe um paralisador sacro-escrotal que o impeça de se sentar onde quer que seja, tribunal ou bancada parlamentar.
Se o convocarem para prestar declarações, logo aparecerá com um imobilizador maxilo-masséter-digástrico que o remeterá ao mais profundo mutismo, contemplando impávido com os olhos divertidos de profundo humorista os esforços inglórios do poder judicial para o apanhar, enquanto sorve, por uma palhinha apertada nos lábios, batidos nutritivos com a segurança dos imunes impunes.
Em dramatismo, o braço engessado de Preto destrona os cornos de Pinho. Com esta escolha, Manuela Ferreira Leite veio lembrar-nos que também há no PSD comediantes de grande calibre capazes de tornar a monotonia legislativa no arraial caleidoscópico de animação que está a fazer do Canal Parlamento um conteúdo prime em qualquer pacote de Cabo.
Que são os invulgares familiares de José Sócrates, o seu estranho tio ou o seu temível primo que aprende golpes de mão fatais na China, quando comparados com um transformista que ilude com tanta facilidade a perícia judiciária? António Preto é mesmo melhor que Vale e Azevedo em recursos dilatórios e excede todos os outros arguidos da nossa praça com as suas qualidades naturais para o burlesco melodramático.
Entre arguidos, António Preto é um primo inter pares. Ao fazer tão arrojada escolha para o elenco político que propõe ao país como solução para a nossa crise de valores, Manuela Ferreira Leite só pode querer corrigir a percepção que o eleitorado possa ter de que ela é uma cinzentona sem espírito de humor e que o seu grupo parlamentar vai ser o nacional bocejo.
A líder social-democrata respondeu às marcantes investidas de Pinho com as inimitáveis braçadas de Preto. Arguidos na vida política há muitos, mas como António Preto há só um. Quem o tem, tão fresco e irreverente como na primeira investigação judicial, é Manuela Ferreira Leite e o seu PSD. Karl Marx, na introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, escreve que "a fase final na história de um sistema político é a comédia". Com estas listas do PSD e com a inspiração guionística de António Preto, Ferreira Leite está a escrever o último acto.


Artigo aqui.

De facto a coisa está a atingir laivos de triste comédia. De parabéns está mais uma vez Mário Crespo pela denúncia cáustica.

12 de agosto de 2009

Entre o Preto e o Mota venha o Diabo e escolha!

A líder do PSD veio ontem defender a candidatura de António Preto para o Parlamento. Desvalorizou as acusações sobre o social-democrata, preferindo relembrar a falta de solução para o caso Eurojust. Ferreira Leite não tem dúvidas: é mais preocupante que Portugal mantenha em funções o presidente do Eurojust, Lopes da Mota, suspeito de condicionar a investigação do caso Freeport, do que o PSD ter como candidato a deputado António Preto, acusado de fraude fiscal e falsificação de um contrato. Em defesa do homem que a sucedeu à frente da distrital do PSD/Lisboa, Ferreira Leite lembra que as dúvidas sobre Preto não têm que ver com o exercício de funções políticas. Daí que, excluí-lo das listas de deputado seria "antecipar-se à Justiça" justifica a líder do PSD.

Notícia aqui.

De facto perdeu-se a noção do ridículo e, pior ainda, a noção de verticalidade, honestidade e de isenção pela qual se devem reger os candidatos a cargos públicos. É a lama total. Quando há no aparelho de Estado tanta gente com crimes ainda piores do que aqueles que são imputados ao Preto e ao Mota, não admira que a Lelita se perca e ache normal a manutenção da candidatura. Como diria um amigo meu: quando estás muito tempo ao pé da merda começas a parecer-te com ela!